sábado, 27 de novembro de 2021

Os 10R da Doença Celíaca

 


Por Raquel Benati

A política dos 3R da Sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) reune um conjunto de práticas cujo objetivo é minimizar o impacto ambiental causado pelo desperdício de materiais e produtos provenientes de recursos naturais e ganhou força e visibilidade a partir da ECO 92 e ds compromissos firmados na Agenda 21.

Anos mais tarde, com o objetivo de equilibrar o trato gastrintestinal por meio de cinco ações principais que formam um conjunto de práticas da Nutrição, conhecemos o Protocolo 5R (Remover, Reparar, Recolocar, Reinoculat, Reequilibrar).

Outras áreas também criaram seus próprios conjuntos de R, sintetizando ações para alcançar determinados objetivos.

Usando esses modelos como base, com o próposito de resumir o que tem sido usado com sucesso por grastroenterologistas, nutricionistas e psicílogos como conduta para o tratamento integral do paciente Celíaco é que criei esse conjunto de 10R da DOENÇA CELÍACA, divindo em 2 grandes áreas: Dieta sem Glúten e Vida sem glúten.

5R da DIETA SEM GLÚTEN






RETIRAR completamente o glúten da dieta, identificando as principais fontes desse conjunto de proteínas e cuidando dos riscos de contaminação cruzada por glúten em alimentos, utensílios e ambientes.

RESTRINGIR alguns grupos e tipos de alimentos na fase inicial do tratamento com dieta sem glúten para evitar o agravamento de situações digestivas secundárias à inflamação intestinal causada pela doença celíaca.

REPARAR a mucosa intestinal, garantindo REPOSIÇÃO adequada de nutrientes (minerais, vitaminas e hormônios) para correção das deficiências identificadas no momento do diagnóstico e RECUPERAÇÃO da saúde digestiva.

REINTRODUZIR gradualmente os alimentos que foram restringidos na fase inicial do tratamento com dieta sem glúten, observando as reações e fazendo adequações na rotina alimentar, garantindo variedade e densidade nutricional na dieta.

RESSIGNIFICAR sabores e texturas, criando novas memórias e experiências alimentares, adaptando antigas receitas e descobrindo novos ingredientes, buscando manter sempre o foco naquilo que é permitido e saudável dentro da dieta sem glúten.

5R da VIDA SEM GLÚTEN




REORGANIZAR a rotina, seja em relação ao ambiente doméstico ou ao ambiente fora do lar (trabalho/estudo/convivência com parentes e amigos), visando sempre garantir segurança alimentar e minimizando as situações de risco de ingestão voluntária ou involuntária de glúten.

REGULAR as emoções para que o autocuidado e autoeficácia sejam a base da vida sem glúten, tanto nas situações de rotina quanto nas situações inesperadas, trazendo flexibilidade e segurança nas decisões para garantia e proteção da Saúde.

RESPEITAR os seus limites físicos e mentais, avaliando a capacidade de lidar com situações de estresse emocional ou de estar em ambiente excludente, evitando exposição excessiva à esse tipo de experiência.

RECONSTRUIR propósitos de Vida e REVER os próprios conceitos relacionados à Inclusão, ampliando o olhar para além da restrição alimentar.

RENOVAR diariamente a crença na capacidade de RESISTIR às adversidades da vida sem glúten, mas também de se REERGUER quando falhar.


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quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Doença Celíaca e alterações na Vesícula Biliar em Crianças



Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Frequência de cálculo biliar em crianças com Doença Celíaca


Gallstone Frequency in Children With Celiac Disease 

Mehmet Agin, Yusuf Kayar 

Pediatric Gastroenterology, Van Education and Research Hospital, Van, TUR. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7888360/


RESUMO

A doença celíaca (DC) é uma doença sistêmica autoimune crônica causada pelo mecanismo imunológico dirigido pelas células T, que é desencadeado pelo glúten em cereais como trigo, cevada e centeio em indivíduos com predisposição genética. O objetivo do presente estudo foi investigar a frequência de cálculos biliares em crianças com DC.


Métodos:

Um total de 120 pacientes com diagnóstico de Doença Celíaca e acompanhados pela clínica de gastroenterologia pediátrica do hospital e 100 crianças saudáveis ​​foram incluídos no estudo. 

A idade, sexo, hemograma, bioquímica e imagens de ultrassonografia abdominal dos pacientes foram comparados. Os casos com cálculos biliares foram avaliados em termos de parâmetros bioquímicos (lipídios séricos em jejum, fragilidade osmótica, eletroforese de hemoglobina e esfregaços periféricos, etc). 

Os casos com diagnóstico de doença hematológica ou metabólica foram excluídos do estudo. A sorologia para celíacos foi examinada em termos de diagnóstico de DC em casos que apresentavam cálculos biliares pela primeira vez.


Resultados:

A mediana da idade dos pacientes com Doença Celíaca incluídos no estudo foi de oito anos (5-12), e a mediana da idade do grupo controle foi de 10 anos (6-13). 

48% do Grupo Controle era do sexo feminino e 52% do masculino. Não foram detectadas diferenças significativas entre a distribuição de idade e sexo dos casos. Não houve diferenças entre o hemograma e os parâmetros bioquímicos. 

Cálculos biliares foram detectados em seis (5%) dos casos diagnosticados com Doença Celíaca e em três (3%) dos casos no grupo controle. 

Dois (2/160; 1,3%) dos pacientes encaminhados ao nosso serviço com diagnóstico de cálculo biliar foram diagnosticados com Doença Celíaca.

Conclusões: 

O diagnóstico precoce e o tratamento da Doença Celíaca são importantes para evitar o desenvolvimento de cálculos biliares porque uma dieta sem glúten corrige a enteropatia de forma significativa na DC. A Doença Celíca deve ser considerada em casos de cálculos biliares em crianças.

No entanto, estudos multicêntricos com maior participação projetados prospectivamente são necessários para revelar claramente a relação entre a formação de cálculos biliares e Doença Celíaca.


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Motilidade da vesícula biliar em crianças com Doença Celíaca 
antes e depois da dieta sem glúten


Gallbladder motility in children with celiac disease before andafter gluten-free diet

Subhamoy Dasa, Sadhna B. Lala, Vybhav Venkatesha, Anish Bhattacharyab, Akshay Saxenac, B.R ThapaaSatya Vati Ranad

Postgraduate Institute of Medical Education and Research, Chandigarh, India

Published online 5 February 2021 - Annals of Gastroenterology (2021) 35, 1-7

DOI: https://doi.org/10.20524/aog.2021.0593


RESUMO

Hipomotilidade da vesícula biliar foi relatada em adultos com doença celíaca (DC), mas não há literatura sobre essa disfunção em crianças celíacas. Nosso objetivo foi estudar a motilidade da vesícula biliar em crianças com DC, antes e depois de uma dieta isenta de glúten, usando ultrassonografia e cintilografia hepatobiliar.

Métodos: 

Crianças com Doença Celíaca recém-diagnosticadas foram inscritas e avaliadas quanto à fração de ejeção da vesícula biliar usando cintilografia e ultrassom. Aquelas com fração de ejeção reduzida na cintilografia inicial foram avaliadas novamente após 6 meses de dieta isenta de gluten rigorosa e os resultados foram comparados.

Resultados: 

Das 50 crianças com Doença Celíaca (idade média entre  2 a 9 anos, 54% meninos), 16% tinham uma baixa fração de ejeção da vesícula biliar na linha de base. Essas crianças tiveram um atraso significativamente maior no diagnóstico em comparação com aquelas com fração de ejeção normal. 

Uma melhoria significativa na fração de ejeção da vesícula biliar foi observada em cintilografia após dieta sem glúten. A fração de ejeção também melhorou significativamente quando avaliada por parâmetros da ultrassonografia após dieta sem glúten. 

O volume da vesícula biliar em jejum diminuiu com uma melhora significativa na porcentagem de alteração do volume pós-prandial em comparação com os valores basais pré-dieta isenta de glúten. Tempo de trânsito orocecal também aumentou em crianças com fração de ejeção reduzido.

Conclusões: 

A função da vesícula biliar está prejudicada em pelo menos 16% das crianças com Doença Celíaca no momento do diagnóstico e é reversível com dieta isenta de glúten rigorosa. A disfunção da vesícula biliar está significativamente associada a um diagnóstico tardio e pode fazer parte da dismotilidade gastrointestinal geral.



terça-feira, 9 de novembro de 2021

DOENÇA CELÍACA & COVID-19 - dados brasileiros



Questionário DOENÇA CELÍACA & COVID-19 – Riosemgluten

Divulgado nas Redes Sociais do Riosemgluten (Instagram e Facebook)

Coleta de informações nos dias 06, 07 e 08 de novembro de 2021

"Questionário para levantamento de dados sobre a COVID-19 na comunidade Celíaca brasileira. Os resultados serão divulgados no site e redes sociais do Riosemgluten. 

Público-alvo desse questionário: EXCLUSIVAMENTE pessoas maiores de 18 anos, com diagnóstico de DOENÇA CELÍACA confirmado por um gastroenterologista ou dermatologista (dermatite herpetiforme) e que durante os anos de 2020 e 2021 estiveram morando no Brasil. O questionário é anônimo."


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Por Raquel Benati

Em junho de 2021 foi publicado um artigo científico sobre Doença Celíaca e COVID-19 com dados iniciais do estudo "SECURE-CELIAC"  (https://covidceliac.org/), que é uma base de dados internacional (pediátrica e de adultos), para monitorar e relatar resultados de COVID-19 que ocorrem em pacientes com doença celíaca.

O artigo traz os seguintes resultados:

"Entre 31 de março de 2020 e 23 de fevereiro de 2021, 123 casos confirmados de COVID-19 foram relatados por 60 médicos no registro, incluindo pacientes de 21 países em 5 continentes.

A idade média era de 38 anos. A maioria dos pacientes era do sexo feminino (76,4%), brancos (90,2%), diagnosticados por biópsia duodenal (86,2%) e em dieta estritamente sem glúten ou com rara exposição inadvertida ao glúten (82,1%). 

Um total de 39,0% tinha pelo menos 1 comorbidade, enquanto 8,9% estavam em uso de pelo menos 1 medicamento imunossupressor no momento do diagnóstico de COVID-19. 

Um total de 36,6% dos casos de COVID-19 relatados apresentaram novos sintomas gastrointestinais como diarreia, náusea, vômito e dor abdominal quando tiveram CoVID-19. 

Um total de 13,9% dos casos atendeu ao desfecho primário de hospitalização ou óbito. 

Um total de 11,4% (14 pacientes) foi hospitalizado, 1 paciente necessitou de cuidados intensivos e 2,4% (3 pacientes) morreram de complicações relacionadas à COVID-19. 

Os pacientes que atenderam ao desfecho primário tenderam a ser mais velhos, ser hispânicos / latinos  e ter um histórico de doença cardiovascular ou acidente vascular cerebral. 

Neste registro internacional relatado por profissionais de saúde de pacientes Celíacos que contraíram COVID-19, observamos uma taxa de hospitalização de 12% e uma taxa de letalidade de 2,5%. 

As taxas de hospitalização e letalidade por COVID-19 na população em geral são estimadas em 20% e 1%–11%, respectivamente, sugerindo que os pacientes com Doença Celíaca não apresentam risco aumentado de hospitalização ou morte." (1)


Embora o Brasil esteja na lista dos países participantes desse estudo, não tivemos até o momento pesquisa nacional sobre DOENÇA CELÍACA e COVID-19 com celíacos brasileiros. 

Para responder dúvidas específicas e observar se alguns desses dados internacionas poderiam ser confirmados também aqui no Brasil, elaborei um questionário e usei a ferramenta "Google Forms" para divulgar nas redes sociais do Riosemgluten. Apresento aqui os dados recolhidos desse questionário.

Pré-requisitos para responder ao questionário:

- Ter mais de 18 anos,

- Ter diagnóstico de Doença Celíaca / Dermatite Herpetiforme confirmado por um médico,

- Estar morando no Brasil no período 2020/2021.


Características dos participantes: 

  • 1.072 celíacos responderam (82,3% diagnosticados com biópsia de duodeno)
  • 1.022 participantes são do sexo feminino (95,3%)
  • Idade: 29,4% entre 18 a 29 anos

          31,8% entre 30 a 39 anos

          23,4% entre 40 a 49 anos

          11,2% entre 50 a 59 anos

           4,2% acima de 60 anos

  • 63,9% dos participantes já tiveram COVID-19 (387 celíacos)

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: Sua idade atual. Número de respostas: 1.072 respostas.


Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: Já teve COVID-19?. Número de respostas: 1.072 respostas.



Sobre os participantes que TIVERAM COVID-19 (387 celíacos):

  • 46,5% tiveram COVID-19 em 2020 
  • 53,5% tiveram COVID-19 EM 2021


Sobre a gravidade do quadro da COVID-19

  • 55,8% quadro leve
  • 40,6% quadro moderado
  • 3,6% quadro grave



6,2% (24 celíacos) necessitaram de internação. Aqui já vemos uma diferença dos dados do Secure-Celiac, que mostrou uma taxa de hospitalização de 12%.

Dos 387 celíacos que tiveram COVID-19, 23% (89) têm comorbidades que estavam listadas como "grupo de risco".

Quando perguntados se outros moradores da mesma residência também tiveram COVID-19, 69,8% afirmaram que sim.

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: Quando você teve COVID-19 outras pessoas que moravam na mesma residência também tiveram COVID-19 nessa época (COVID-19 sintomática ou com resultado positivos nos testes)?. Número de respostas: 387 respostas.

Sobre os principais sintomas:

  • 74,4% tiveram DOR DE CABEÇA
  • 70,8% tiveram DOR NO CORPO
  • 69,5% tiveram FADIGA
  • 50,9% tiveram SINTOMAS RESPIRATÓRIOS
  • 39,3% tiveram SINTOMAS GÁSTRICOS
  • 4,9% foram assintomáticos (apenas testes positivos)

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: Você teve:. Número de respostas: 387 respostas.

Aqui era o meu principal ponto de dúvida: "Celíacos seriam mais propensos a ter COVID LONGA"?



Uma pesquisa da Faculdade de Medicina da USP nos traz os seguintes dados sobre a COVID LONGA ou Síndrome Pós-COVID:

"Resultados preliminares de uma pesquisa com pacientes recuperados de covid-19, acompanhados pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, revelam que 64% têm algum sintoma persistente seis meses depois do início dos sintomas. 
Entre os pacientes atendidos pelo ambulatório pós-covid (MINC) do Hospital das Clínicas da FMRP, os principais sintomas persistentes são fadiga, falta de ar, dor de cabeça, perda de força muscular, dificuldade para enxergar ou incômodo nos olhos. Os dados são coletados pelo projeto Recovida, que acompanha, desde maio de 2020, sobreviventes da covid-19 para observar as repercussões da doença. 
A pesquisa é da fisioterapeuta Lívia Pimenta Bonifácio, que desenvolveu o projeto em seu pós-doutorado na FMRP. “O objetivo é acompanhar pacientes sobreviventes da covid-19 na sua apresentação leve e na forma grave da doença e observar sua sobrevida, bem como a ocorrência de possíveis repercussões físicas, psicológicas ou sociais relacionadas à infecção ou ao seu tratamento.” (2)

Na nossa pesquisa 30% dos Celíacos tiveram COVID-19 apresentaram sintomas persistentes após 3 meses do ínicio da infecção. 

Por tudo que vem sendo divulgado sobre a Síndrome Pós-COVID nos sites de Saúde, podemos dizer que Celíacos que tiveram esses sintomas persistentes devem fazer acompanhamento com seus médicos e nutricionistas, para prevenção de problemas futuros.


Sobre os participantes que NÃO TIVERAM COVID-19

Dos 685 celíacos que NÃO tiveram COVID-19, 22,6% têm comorbidades que estavam listadas como "grupo de risco". 

Nesse grupo 21% dos participantes conviveu na mesma residência com alguém com COVID-19.


COMPARANDO AS RESPOSTAS DOS DOIS GRUPOS

Durante toda a pandemia sofremos com a divulgação de "fake news" e informações desencontradas vindas do Ministério da Saúde e de outros setores do Poder Público, o que deixou a população insegura sobre formas de proteção e prevenção dessa doença que vem ceifando tantas vidas no Brasil e no mundo.

Sobre as formas de proteção, a grande maioria dos participantes da pesquisa adotou as medidas divulgadas pelo Ministério da Saúde: 

Grupo de Celíacos que teve COVID-19:

  • uso de máscaras (96,4%), 
  • limpeza das mãos com uso de álcool em gel (95,1%), 
  • distanciamento social (85,5%), 
  • com um grupo significativo fazendo isolamento social (48,1%),
  • 2,1% não fez distanciamento social e só usou máscaras porque o uso foi obrigatório.

Grupo de Celíacos que não teve COVID-19

  • uso de máscaras (96,2%), 
  • limpeza das mãos com uso de álcool em gel (95,3%), 
  • distanciamento social (89,6%), 
  • com um grupo significativo fazendo isolamento social (56,8%),
  • 1,6% não fez distanciamento social e só usou máscaras porque o uso foi obrigatório. 

Sobre as formas de prevenção para evitar um quadro grave da doença, tivemos 2 ações distintas: uso de medicamentos e/ou uso de suplementos para fortalecimento do sistema imunológico e a atenção com a atividade física e a nossa dieta sem glúten, também como forma de fortalecer o organismo e não estressar nosso sistema de defesa.


Formas de prevenção:

Grupo de Celíacos que teve COVID-19

Gráfico de respostas do Formulários Google. Título da pergunta: Por conta própria fez uso de medicações na tentativa de evitar uma infecção grave pela COVID-19 ?. Número de respostas: 387 respostas.