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terça-feira, 11 de outubro de 2022

Parei com o glúten e...fiquei intolerante! Será?

 



Rê Calixto - 09 de outubro de 2017
(Grupo "Estratégia Low Carb - Resistência à Insulina e Diabetes T2" - Facebook)

Há muitos relatos de pessoas que iniciam o estilo de vida low carb ou gluten free e após aquela primeira pizza e cerveja com os amigos começam a sentir sintomas relacionados ao glúten. Muitos profissionais dizem que a restrição foi a causa da “intolerância”, será mesmo?

Primeiro, importante salientar que o termo correto é sensibilidade ao glúten. Usamos muito a redução SGNC (sensibilidade ao glúten não celíaca).

Bom, alguns componentes que formam as proteínas do glúten, a gliadina e a glutenina, não podem ser digeridas pelo intestino de qualquer ser humano, embora algumas pessoas possam tolerar com segurança seu consumo. O curso natural das proteínas não digeridas seria a eliminação pelas fezes, mas isso não ocorre com esses componentes do glúten. Estima-se que, em 15% a 42% da população, esses componentes acabam entrando na circulação sanguínea pela parede intestinal.

Inicia-se então a produção de anticorpos, pois o corpo identifica essas proteínas como invasores, causando inflamação no local onde as proteínas vazaram. Os elementos químicos liberados pela inflamação causam aumento da permeabilidade intestinal. Entramos então em síndrome do vazamento intestinal ou síndrome do intestino permeável (leaky gut, em inglês). Mesmo na ausência de anticorpos específicos (que caracterizaria a doença celíaca), o contato dessas proteínas com outros órgãos ou tecidos causa danos, por causa desse mesmo processo inflamatório, desencadeado pelo sistema imunológico inato.

O intestino tem a maior massa de células imunológicas do corpo humano, são nossas células de defesa, altamente especializadas e que são substituídas rapidamente, a cada 72 horas. Essa camada protetora maravilhosa é destruída e canibalizada quando exposta a qualquer estresse severo. 

Então, se você for como a maior parte da população que apresenta risco aumentado de permeabilidade intestinal, e passar por um ou dois dos muitos eventos que podem causar vazamentos, o glúten não digerido inevitavelmente ultrapassará essa barreira e entrará no seu corpo pela corrente sanguínea. 

Junto com o glúten, o sangue absorverá outras proteínas, aditivos alimentares, toxinas, bactérias patógenas e até mesmo bactérias benéficas, que residiam na microbiota intestinal pacificamente, mas que se depositados em outros tecidos ou órgãos, causarão infecções ou reações autoimunes.

Então, já sabemos que o glúten pode ser um vilão mesmo para aquela porcentagem da população que não tem predisposição genética para a doença celíaca.


Mas antes dessa alimentação forte, natural, sem conservantes, corantes, industrializados, cheia de verduras, legumes, gorduras boas, algumas frutas.... Eu não tinha nenhum sintoma!


De fato, a percepção dos sintomas é diferente antes da mudança da alimentação. 

Há um princípio de Hans Style, chamado “estresse sem desconforto” (stress without distress, em inglês). 

É um mecanismo de defesa do corpo realizado pelo nosso hipotálamo. 

Exemplifico esse princípio sendo o glúten o agente estressor: 

Quando o biscoitinho, pãozinho, macarrãozinho de letrinha foi introduzido em nossa alimentação na infância, provavelmente tivemos uma reação forte e severa (cólicas, dor, choros, diarreia, distensão abdominal, febre inexplicável...). Após a exposição contínua e prolongada a esse estressor, iniciou-se um estágio de adaptação pois, nenhum organismo é capaz de manter-se em estado de alerta por períodos muito longos de tempo. Então os sintomas iniciais diminuem ou até desaparecem. Nos tornamos tolerantes aos sintomas. Mas, devemos ficar atentos porque o corpo entrará em exaustão (essa adaptação energética ao estressor é finita) e processos de doenças inflamatórias podem iniciar ou já estão em curso.

Essas informações nos levam a pensar que a sensibilidade ao glúten é anterior ao estilo de vida low carb ou gluten free, e que nosso corpo apenas tolerava os sintomas: havia estresse sem desconforto. 

Um estudo britânico relata casos de pacientes que foram diagnosticados com doença celíaca, que é uma doença genética, somente após fazerem semanas de dieta Atkins que também é livre de glúten. Já há uma estimativa de que 90 milhões de americanos sejam SGNC, isso equivaleria a quase 30% da população.

Se você sentiu melhora na sua saúde com o estilo de vida livre de glúten e teve sintomas quando o reintroduziu na dieta, consulte com um gastroenterologista atualizado sobre Desordens Relacionadas ao Glúten. Investigue 😉


Fontes:

https://bmcmedicine.biomedcentral.com/.../1741-7015-10-13

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1774636/

BRALY, J.; HOGGAN, R. O perigo do glúten: descubra como ele afeta a sua saúde e previna-se contra seus efeitos São Paulo: Alaúde, 2014.

FASANO, A. Dieta sem glúten: um guia essencial para uma vida saudável. São Paulo: Madras, 2015.

SELIE, H, Stress without distress. In: SERBAN, G. In: Psychopathology of human adaptation. New York: Springer Science, 1975. p 138-139.




quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Testes para verificar a adesão de Celíacos à dieta sem glúten




Raquel Benati - Agosto de 2022


O único tratamento existente atualmente para a Doença Celíaca é uma rigorosa dieta isenta de glúten por toda a vida. O objetivo do tratamento é cessar o ataque autoimune e recuperar as vilosidades intestinais, curando o intestino. 

Para obter sucesso com o tratamento, o paciente celíaco deve ser muito bem orientado e educado sobre a importância de manter uma dieta rigorosa sem glúten, aprendendo a reconhecer a presença de glúten em alimentos, bebidas e medicamentos  e  também sobre como lidar com as questões do cotidiano relativas aos riscos de contaminação cruzada por vestígios de glúten em alimentos, utensílios e ambientes. 

O processo de remissão da doença celíaca depende integralmente do comprometimento do celíaco com seu tratamento e sua capacidade em geri-lo. Os profissionais de saúde que fazem o acompanhamento precisam monitorar através de consultas e exames a evolução desse paciente.

Dentre os métodos disponíveis hoje para esse monitoramento do tratamento temos os exames sorológicos (dosagem de anticorpos antitransglutaminase, antiendomísio, antigliadina desamidada), a endoscopia digestiva alta com biópsia de duodeno, testes rápidos para identificação de peptídeos de glúten em fezes ou urina (disponíveis na Europa, Estados Unidos, Chile) e entrevistas e questionários padronizados que ajudam a identificar se o paciente está conseguindo seguir corretamente a dieta isenta de glúten.

Nesse texto vamos abordar sobre questionários e testes como instrumentos de verificação utilizados no consultório por Nutricionistas e Médicos: Avaliação Nutricional Padronizada (SDE), o Teste de Adesão à Dieta Celíaca (CDAT) e o Teste de Biagi et al.

Não tenho conhecimento sobre testes padronizados com esse intuito sendo usados no Brasil. Também não encontrei referência à estudos brasileiros sobre tradução e validação desses testes. 

Fica aqui a sugestão para que os centros de pesquisa brasileiros criem um instrumento ou façam a tradução e adaptação validada de algum material que possa ser usado em consultório para ajudar a identificar com precisão o grau de adesão a uma dieta isenta de glúten em pacientes celíacos brasileiros sem que seja necessário a realização com frequência de endoscopias com biópsia de duodeno para esse fim.

Nosso país é muito desigual no que se refere ao acesso aos serviços de saúde e à realização de exames. Um instrumento de avaliação da adesão à dieta sem glúten como entrevistas e testes, que tenha sido validado por pesquisa científica, se torna um excelente método de acompanhamento e aconselhamento desses pacientes, permitindo sucesso no tratamento de todos!

Trago aqui alguns estudos com métodos já testados e em uso em vários centros internacionais de pesquisa sobre doença celíaca.



Teste de adesão dietética celíaca e avaliação dietética padronizada na avaliação da adesão a uma dieta isenta de glúten em pacientes com doença celíaca

Tradução: Google / Adapatação: Raquel Benati


Celiac Dietary Adherence Test and Standardized Dietician Evaluation in Assessment of Adherence to a Gluten-Free Diet in Patients with Celiac Disease

Katarzyna Gładyś, Jolanta Dardzińska , Marek Guzek , Krystian Adrych , Sylwia Małgorzewicz 

Nutrients. 2020 Jul 31;12(8):2300. doi: 10.3390/nu12082300.

https://www.mdpi.com/2072-6643/12/8/2300/htm#B25-nutrients-12-02300


A adesão a uma dieta isenta de glúten (DIG) é atualmente a base da estratégia de tratamento para a doença celíaca (DC). O objetivo do nosso estudo foi medir a adesão à DIG em pacientes com DC usando dois métodos recém-validados de avaliação dietética - Avaliação Dietética Padronizada (SDE) e o Teste de Adesão à Dieta Celíaca (CDAT). 

A adesão insuficiente a uma DIG em pacientes com DC ainda é um problema significativo. O conhecimento sobre o teor de glúten em ingredientes e aditivos alimentares é muito baixo entre adultos com DC. O SDE é o método mais preciso para avaliar a adesão a uma dieta isenta de glúten e é especialmente útil na determinação de fontes ocultas de glúten. O CDAT pode ser uma ferramenta rápida para triagem de adesão à DIG em pacientes com DC.

Seguir uma Dieta Isenta de Glúten rigorosa pode induzir a remissão da doença e também pode reduzir o risco de complicações a longo prazo, como malignidade (principalmente linfoma de células T), doença hepática, osteoporose, anemia microcítica, má oclusão, doenças psiquiátricas, distúrbios do trato reprodutivo e outras doenças autoimunes. 

Porém, um número significativo de pacientes não mantém restrição alimentar. De acordo com os dados disponíveis, o cumprimento de uma DIG não melhorou nos últimos 20 anos. 

Por sua vez, a dificuldade em aderir a uma DIG está associada à redução da qualidade de vida dos pacientes e ao sofrimento psíquico. 

Os métodos atualmente disponíveis para avaliar a adesão à DIG incluem entrevista com médico e nutricionista, testes sorológicos específicos para DC ou endoscopia repetida com biópsia duodenal. Porém, levanta-se que nenhuma dessas técnicas é suficientemente sensível. 

De acordo com a World Gastroenterology Organization (WGO) e o National Institute for Health and Care Excellence (NICE), a biópsia duodenal não é a maneira padrão de monitorar a adesão à DIG em pacientes com DC e deve ser recomendada apenas em pacientes com sintomas persistentes ou recorrentes sem outras explicações para esses sintomas. 

Sabe-se que a cicatrização completa da mucosa na maioria dos adultos com DC pode exigir até 2 anos ou mais em DIG, e às vezes pode ser impossível de alcançar apesar da boa adesão à DIG. 

Também foi demonstrado que a sorologia negativa não indica necessariamente uma boa adesão à DIG e a normalização dos anticorpos EMA e tTG é possível mesmo em pacientes que consomem pequenas quantidades de glúten e nos quais a recuperação da mucosa do intestino delgado é incompleta. 

Por outro lado, níveis de anticorpos tTG levemente elevados também podem ocorrer em outras doenças autoimunes (por exemplo, doença de Crohn) e outros distúrbios. Na opinião de especialistas, o teste sorológico não deve ser feito sozinho, sem avaliação detalhada da situação clínica e adesão à DIG. 

Porém, em alguns grupos de pacientes (especialmente crianças, adolescentes e idosos) a avaliação dietética pode ser difícil devido a autorrelatos não confiáveis ​​ou falta de cooperação com um nutricionista, portanto, novos exames laboratoriais para monitorar a adesão são aguardados na prática clínica como detecção de peptídeos imunogênicos de glúten nas fezes ou proteína de ligação de ácidos graxos intestinais (I-FABP) no sangue. 

No entanto, a avaliação dietética ainda é de grande importância. Ressalta-se que tal avaliação deve ser realizada por nutricionistas altamente qualificados ou médicos com formação adequada, mas o acesso a tais profissionais pode ser limitado. 

Outro problema importante é que essas avaliações não são objetivas e, portanto, não são diretamente comparáveis, pois diferentes métodos são usados ​​para verificar a adesão à DIG, como diários alimentares, recordatórios de 24 horas, entrevistas com nutricionistas, questionários autorrelatados, questionários de frequência alimentar, ou perguntas curtas, como foi no estudo de Di Giacomo et al.

A adesão à DSG foi definida por eles como uma resposta afirmativa à pergunta: “Você faz dieta sem glúten?”. Portanto, parece ser essencial criar e introduzir na prática clínica e na pesquisa científica ferramentas dietéticas padronizadas para medir a adesão à DIG. 

Também seria desejável que tal ferramenta fosse direta e potencialmente usada mesmo por pessoal não especializado. Um desses métodos é um questionário rápido baseado em quatro perguntas simples com pontuação de cinco níveis realizado por Biagi. Porém, esse método apresenta algumas limitações, pois nem todo paciente celíaco que verifica os rótulos dos alimentos embalados também consegue identificar ingredientes que contenham glúten. 

Dois outros novos métodos interessantes de avaliação da adesão à DIG foram propostos por Leffler et al. 

A primeira é uma Avaliação Nutricional Padronizada (SDE) baseada em uma entrevista detalhada realizada por um nutricionista experiente. É importante que o diário alimentar ou recordatório alimentar de 24 horas sejam apenas parte deste método e não a única forma de avaliação da adesão à DIG. 

A segunda ferramenta, Teste de adesão á dieta celíaca (CDAT) é menos demorada, mas de acordo com os autores pode identificar facilmente pacientes com alto risco de má adesão. 

Ambos os métodos foram validados em uma população americana de adultos com DC e permitiram uma avaliação confiável da exposição ao glúten. Eles também podem ser úteis no diagnóstico de doença celíaca refratária (DCR). 

Portanto, o objetivo do presente estudo foi medir a adesão à DIG em pacientes poloneses com DC com o uso do CDAT e SDE e comparar os escores CDAT e SDE com resultados de biópsias duodenais e níveis de anticorpos antiendomísio (EMA), antigliadina desamidada (DGP) e antitransglutaminase tecidual (tTG).

92 adultos com DC foram avaliados por nutricionista com ampla experiência no uso de SDE e CDAT. A biópsia duodenal foi realizada e o sangue foi coletado para  sorologia (anticorpos antiendomísio, antigliadina desamidada e  antitransglutaminase tecidual) em 44 desses pacientes. 

Os resultados do CDAT e SDE foram muito convergentes, mas os escores do SDE se correlacionaram melhor com os achados sorológicos e histológicos. Cerca de 24-52% dos participantes do estudo não aderiram bem o suficiente a um a DIG. 


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Fatores que governam a adesão a longo prazo a uma dieta sem glúten em pacientes adultos com doença celíaca

Tradução: Google / Adapatação: Raquel Benati

Factors governing long-term adherence to a gluten-free diet in adult patients with coeliac disease

J. Villafuerte-Galvez,R. R. Vanga,M. Dennis,J. Hansen,D. A. Leffler,C. P. Kelly,R. Mukherjee

First published: 23 July 2015 https://doi.org/10.1111/apt.13319

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/apt.13319

RESUMO

Uma dieta rigorosa sem glúten é a base do tratamento da doença celíaca. Estudos de adesão à dieta sem glúten raramente utilizaram instrumentos validados. Há uma escassez de dados sobre a adesão a longo prazo à dieta sem glúten na população adulta.

OBJETIVO: Determinar a adesão a longo prazo à dieta sem glúten e potenciais fatores associados em uma grande população de centro de referência de doença celíaca.

MÉTODOS: Realizamos uma pesquisa por correio com adultos com doença celíaca confirmada clínica, sorológica e histologicamente diagnosticada ≥ 5 anos antes da pesquisa. O Teste de Adesão à Doença Celíaca (CDAT), previamente validado, foi utilizado para determinar a adesão. Fatores demográficos, socioeconômicos e potencialmente associados foram analisados ​​tendo como desfecho a adesão.

RESULTADOS: A taxa de resposta foi de 50,1% dos 709 pesquisados, o tempo médio em dieta sem glúten 9,9 ± 6,4 anos. A adesão adequada (pontuação do teste de adesão à doença celíaca <13) foi encontrada em 75,5% dos entrevistados. 

A maior escolaridade foi associada à adesão adequada mesmo após o controle da renda familiar. Percepções de custo, eficácia da dieta sem glúten, conhecimento da dieta sem glúten e autoeficácia em seguir a dieta sem glúten correlacionaram-se com os escores de adesão.

CONCLUSÕES: A adesão a longo prazo a uma dieta sem glúten foi adequada em mais de 75% dos entrevistados. O custo percebido continua sendo uma barreira para a adesão. A percepção da eficácia da dieta isenta de glúten, bem como o seu conhecimento, são potenciais áreas de intervenção.


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AVALIAÇÃO NUTRICIONAL ESPECIALIZADA (SDE)


Fatores que influenciam a adesão a uma 
dieta sem glúten em adultos com doença celíaca

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Leffler, D.A., Edwards-George, J., Dennis, M. et al. Factors that Influence Adherence to a Gluten-Free Diet in Adults with Celiac Disease. Dig Dis Sci 53, 1573–1581 (2008). https://doi.org/10.1007/s10620-007-0055-3

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3756800/


Objetivo: O único tratamento para a doença celíaca é a adesão ao longo da vida a uma dieta sem glúten, mas a adesão é limitada e os fatores que influenciam a adesão são pouco compreendidos. 

O objetivo deste estudo foi determinar os fatores que influenciam a adesão à dieta sem glúten em adultos com doença celíaca. 

Métodos:Um questionário foi desenvolvido e aplicado a 154 adultos com doença celíaca que foram submetidos a uma avaliação padronizada da dieta isenta de glúten por um nutricionista experiente. 

A análise multivariada foi realizada para determinar os fatores associados ao nível de adesão. 

Resultados: Treze fatores hipotetizados para contribuir com a adesão à dieta sem glúten foram significativamente associados à melhora da adesão, incluindo: 

  • compreensão da dieta sem glúten, 
  • participação em um grupo de defesa da doença celíaca e 
  • capacidade percebida de manter a adesão apesar de viagens ou mudanças de humor ou estresse.
Conclusões: Este estudo identificou fatores específicos correlacionados com a adesão à dieta isenta de glúten. Esses resultados fornecem uma base para o desenho de intervenções educacionais para melhorar a adesão.

Apêndice 1 - Avaliação do nutricionista especialista sobre adesão à dieta sem glúten

https://link.springer.com/article/10.1007/s10620-007-0055-3/tables/6

Apêndice 2  - Teste de conhecimento do paciente sobre dieta sem glúten

https://link.springer.com/article/10.1007/s10620-007-0055-3/tables/7


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TESTE DE ADESÃO À DIETA CELÍACA (CDAT)


O teste foi desenvolvido e testado por um grupo de pesquisadores especialistas em Doença Celíaca em 2009. Ao longo da última década foi traduzido, com adaptação transcultural e validado para outras línguas. Espanha, Suécia, Grécia, Polônia, Canadá, China são países onde o CDAT tem sido usado em pesquisas científicas e também por médicos e nutricionistas no acompanhamento de Celíacos.


Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Study of adherence to the gluten-free diet in coeliac patients

María Fernández Miaja,  José Díaz Martína Santiago,  Jiménez Treviño, Marta Suárez González, Carlos Bousoño García 

Servicio de Gastroenterología-Hepatología y Nutrición, Hospital Universitario Central de Asturias, Oviedo, Spain - 2021

https://doi.org/10.1016/j.anpede.2020.06.012


A doença celíaca (DC) é a doença gastrointestinal crônica mais frequente nos países ocidentais. Atualmente, o único tratamento eficaz é aderir a uma dieta sem glúten rigorosa ao longo da vida.

Os resultados dos estudos que analisam a adesão à Dieta Isenta de Glúten (DIG) são muito heterogêneos, o que pode ser devido a diferenças nas definições e métodos utilizados para avaliação. 

A adesão pode ser afetada por diversos fatores, como idade, idade ao diagnóstico, sexo, duração da doença, disponibilidade e custo de produtos sem glúten, acesso a nutricionistas e associações de celíacos e rotulagem dos produtos. A baixa adesão pode resultar em mau controle dos sintomas e aumento do risco de câncer gastrointestinal.

Avaliar a adesão não é uma tarefa simples. As abordagens comumente usadas para monitorar a adesão incluem avaliações clínicas, testes sorológicos, exames de biópsia e questionários. 

Um instrumento amplamente utilizado é o "Celiac Disease Adherence Test" (CDAT), que avalia fatores como:

  • autoeficácia percebida, 
  • motivação para adesão, 
  • sintomas associados, 
  • conhecimento da doença, 
  • comportamentos de risco e 
  • percepção subjetiva de adesão.
Esse questionário, assim como outros instrumentos usados ​​historicamente, identifica as consequências da exposição continuada ao glúten, mas não detecta a exposição em si. 

Sabe-se que exposições ocasionais menores, frequentemente decorrentes de contaminação cruzada ou desconhecimento, podem desencadear mecanismos autoimunes e causar estresse oxidativo , inflamação crônica e danos histológicos.


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Quando o teste CDAT foi criado:


Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati

A Simple Validated Gluten-Free Diet Adherence Survey for Adults With Celiac Disease

Daniel A. Leffler, Melinda Dennis, Jessica B. Edwards George, Shailaja Jamma, Suma Magge, Earl F. Cook, Detlef Schuppan, Ciaran P. Kelly

Published:January 13, 2009 DOI:https://doi.org/10.1016/j.cgh.2008.12.032

https://www.cghjournal.org/article/S1542-3565(09)00008-1/fulltext


Histórico e Objetivos

A doença celíaca é uma doença cada vez mais prevalente. Para monitorar a resposta ao tratamento em ambientes clínicos e de pesquisa, é essencial medir com precisão a adesão à dieta isenta de glúten (DIG) de maneira padronizada. O objetivo deste estudo foi desenvolver um teste de adesão à dieta celíaca (CDAT) válido e confiável.

Métodos

Itens e domínios considerados essenciais para a adesão bem-sucedida à DIG foram usados ​​para desenvolver uma pesquisa de 85 itens com informações de grupos focais de pacientes. 

A pesquisa foi administrada a 200 indivíduos com doença celíaca comprovada por biópsia que foram submetidos à avaliação dietética padronizada (ADP) e testes sorológicos.

Resultados

Dos 85 itens iniciais, 41 foram altamente correlacionados com a ADP. As respostas de todos os 200 participantes para os 41 itens foram inseridas em um único banco de dados. 

A randomização gerada por computador produziu uma coorte de derivação de 120 indivíduos e uma coorte de validação de 80. Usando a coorte de derivação, um questionário de 7 itens foi desenvolvido usando regressão logística. 

A pontuação aditiva com base nesses itens foi altamente correlacionada com a ADP em ambas as coortes de derivação e validação e teve um desempenho significativamente melhor do que os títulos de transglutaminase tecidual de imunoglobulina A.

Conclusões

O CDAT é um instrumento de 7 itens clinicamente relevante, de fácil administração, que permite a avaliação padronizada da adesão à DIG e é superior à sorologia de transglutaminase tecidual. O CDAT pode ser útil em ambientes de pesquisa e clínicos.


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Conheça uma tradução livre do CDAT - se for celíaco, responda ao teste!

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TESTE DE BIAGI ET Al

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


A score that verifies adherence to a gluten-free diet: a cross-sectional,multicentre validation in real clinical life

Federico Biagi, Paola Ilaria Bianchi, Alessandra Marchese, Lucia Trotta, Claudia VattiatoDavide Balduzzi, Giovanna Brusco, Alida Andrealli, Fabio Cisaro, Marco Astegiano, Salvatore Pellegrino, Giuseppe Magazzu, Catherine Klersy and Gino Roberto Corazza.

British Journal of Nutrition (2012), 108, 1884–1888 doi:10.1017/S0007114511007367 - Link do material em PDF


Resumo:

Uma entrevista dietética realizada por pessoal especializado é o melhor método para verificar se os pacientes com doença celíaca seguem uma dieta rigorosa sem glúten. Anteriormente, desenvolvemos uma pontuação baseada em 4 perguntas rápidas e simples que podem ser administradas mesmo por pessoal não especializado. O objetivo do presente estudo é verificar a confiabilidade do nosso questionário em uma nova coorte de pacientes. 

A avaliação final do é composta por cinco níveis (0 a 4), que, do ponto de vista clínico, podem ser agrupados em três níveis:

1 - Pacientes com avaliação de 0 ou 1 não seguem uma DIG;

2- Pacientes com avaliação 2 seguem uma DIG, mas com erros importantes que exigem correção;

3 - Pacientes com avaliação de 3 ou 4 seguem uma DIG rigorosa.


De março de 2008 a janeiro de 2011, o questionário foi aplicado a 141 
pacientes celíacos em Dieta Isenta de Glúten (DIG), que estavam em reavaliação. A pontuação obtida foi comparada com a persistência da atrofia das vilosidades e do anticorpo antiendomísio (EMA). A taxa de escores mais baixos foi maior entre os pacientes com persistência de atrofia das vilosidades ou EMA positivo. 

Dado que os pacientes celíacos foram bem instruídos sobre o que significa uma DIG e como segui-la, nosso questionário é um método confiável e simples para verificar a adesão ao tratamento da doença celíaca.






sábado, 27 de novembro de 2021

Os 10R da Doença Celíaca

 


Por Raquel Benati

A política dos 3R da Sustentabilidade (Reduzir, Reutilizar e Reciclar) reune um conjunto de práticas cujo objetivo é minimizar o impacto ambiental causado pelo desperdício de materiais e produtos provenientes de recursos naturais e ganhou força e visibilidade a partir da ECO 92 e ds compromissos firmados na Agenda 21.

Anos mais tarde, com o objetivo de equilibrar o trato gastrintestinal por meio de cinco ações principais que formam um conjunto de práticas da Nutrição, conhecemos o Protocolo 5R (Remover, Reparar, Recolocar, Reinoculat, Reequilibrar).

Outras áreas também criaram seus próprios conjuntos de R, sintetizando ações para alcançar determinados objetivos.

Usando esses modelos como base, com o próposito de resumir o que tem sido usado com sucesso por grastroenterologistas, nutricionistas e psicílogos como conduta para o tratamento integral do paciente Celíaco é que criei esse conjunto de 10R da DOENÇA CELÍACA, divindo em 2 grandes áreas: Dieta sem Glúten e Vida sem glúten.

5R da DIETA SEM GLÚTEN






RETIRAR completamente o glúten da dieta, identificando as principais fontes desse conjunto de proteínas e cuidando dos riscos de contaminação cruzada por glúten em alimentos, utensílios e ambientes.

RESTRINGIR alguns grupos e tipos de alimentos na fase inicial do tratamento com dieta sem glúten para evitar o agravamento de situações digestivas secundárias à inflamação intestinal causada pela doença celíaca.

REPARAR a mucosa intestinal, garantindo REPOSIÇÃO adequada de nutrientes (minerais, vitaminas e hormônios) para correção das deficiências identificadas no momento do diagnóstico e RECUPERAÇÃO da saúde digestiva.

REINTRODUZIR gradualmente os alimentos que foram restringidos na fase inicial do tratamento com dieta sem glúten, observando as reações e fazendo adequações na rotina alimentar, garantindo variedade e densidade nutricional na dieta.

RESSIGNIFICAR sabores e texturas, criando novas memórias e experiências alimentares, adaptando antigas receitas e descobrindo novos ingredientes, buscando manter sempre o foco naquilo que é permitido e saudável dentro da dieta sem glúten.

5R da VIDA SEM GLÚTEN




REORGANIZAR a rotina, seja em relação ao ambiente doméstico ou ao ambiente fora do lar (trabalho/estudo/convivência com parentes e amigos), visando sempre garantir segurança alimentar e minimizando as situações de risco de ingestão voluntária ou involuntária de glúten.

REGULAR as emoções para que o autocuidado e autoeficácia sejam a base da vida sem glúten, tanto nas situações de rotina quanto nas situações inesperadas, trazendo flexibilidade e segurança nas decisões para garantia e proteção da Saúde.

RESPEITAR os seus limites físicos e mentais, avaliando a capacidade de lidar com situações de estresse emocional ou de estar em ambiente excludente, evitando exposição excessiva à esse tipo de experiência.

RECONSTRUIR propósitos de Vida e REVER os próprios conceitos relacionados à Inclusão, ampliando o olhar para além da restrição alimentar.

RENOVAR diariamente a crença na capacidade de RESISTIR às adversidades da vida sem glúten, mas também de se REERGUER quando falhar.


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quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO) e doença celíaca - coincidência ou causa?



Richard PG Charlesworth E Gal Winter

Publicado online: 26 de abril de 2020 - tandfonline.com

https://doi.org/10.1080/17474124.2020.1757428


Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


A doença celíaca (DC) é uma enteropatia autoimune que está se tornando cada vez mais comum no mundo desenvolvido, com cerca de 1% da população geral atualmente sendo considerada afetada. 

Uma condição complexa, a DC resulta de uma interação de fatores genéticos e ambientais e os mecanismos exatos da condição não são bem compreendidos [ 1 , 2 ]. Além disso, a DC está associada a outras patologias de má absorção, sendo uma delas o Supercrescimento Bacteriano do Intestinal Delgado (SIBO) e essa associação é o foco deste artigo.

Como o nome sugere, a definição de supercrescimento bacteriano exigiria primeiro a identificação de uma concentração bacteriana saudável no intestino delgado. Isso foi estabelecido com base em estudos de culturas feitas de aspirado jejunal em pacientes que passaram por cirurgia gastrointestinal. 

O padrão de diagnóstico para SIBO é a detecção de >105 unidades formadoras de colônias de bactérias por ml de líquido jejunal. No entanto, a obtenção de aspirados jejunais é um processo descrito como complicado, invasivo e tecnicamente desafiador e, portanto, raramente é usado [3].

Isso levou ao desenvolvimento de novos diagnósticos, sendo um deles o teste do hidrogênio expirado. Este teste é baseado no reconhecimento de que o hidrogênio é produzido apenas no intestino delgado como um subproduto do metabolismo bacteriano de carboidratos não absorvidos na dieta. 

Dos vários testes de respiração propostos para detectar SIBO, dois se tornaram de longe os mais amplamente empregados - os testes de respiração de glicose e lactulose, que testam hidrogênio e metano [3].  No entanto, devemos lembrar que o metabolismo bacteriano é influenciado por muitos fatores, por exemplo, disponibilidade de nutrientes, tipo de cepa bacteriana, etc. e, como tal, não é uma representação única da população bacteriana. Não surpreendentemente, descobertas recentes relatam a falta de correlação entre teste respiratório e contagem bacteriana, questionando o significado do supercrescimento bacteriano do diagnóstico de SIBO e ampliando seu significado para distúrbio de má absorção [3].

À luz dessa controvérsia no diagnóstico de SIBO, as associações feitas entre SIBO e vários estados de doença requerem um exame mais aprofundado. No caso da Doença Celíaca, essa associação foi mais claramente demonstrada com o uso de aspirados jejunais para confirmar o diagnóstico de SIBO [4]. Além disso, ao erradicar o SIBO subjacente usando um antibiótico em pacientes com DC, os sintomas persistentes foram resolvidos em um mês. 

Primeiramente, a associação mais forte entre essas duas condições é em pacientes com Doença Celíaca não responsiva (DCNR) ou em pacientes com DC recém-diagnosticados e nos estágios iniciais de uma dieta sem glúten [4 - 6]. 

A DCNR é definida como uma falha em responder a 6–12 meses de tratamento com uma dieta sem glúten ou o desenvolvimento de sintomas ou anomalias laboratoriais típicas da DC enquanto ainda está em tratamento. 

Há um debate sobre a prevalência de DCNR, com relatos variando de 10 a 40% de todos os pacientes celíacos [4, 7].  A alta coexistência de ambos os transtornos, DCNR e SIBO, levanta questões sobre os mecanismos subjacentes que conectam os dois.

Se SIBO é uma causa de sintomatologia persistente em DC tratada, vamos nos perguntar o que poderia levar a uma proliferação de bactérias dentro do intestino delgado de pacientes com DC em primeiro lugar. 

Os fatores de risco para SIBO incluem anormalidades anatômicas (alças cegas, obstrução, inflamação), acloridria, gastroparesia / motilidade intestinal retardada e alterações no funcionamento imunológico. 

Ao considerar os mecanismos da DC, existem várias teorias que podem explicar a ligação entre essas condições. Em primeiro lugar, pode-se hipotetizar que, com a destruição autoimune mediada da superfície da mucosa do intestino delgado, as defesas antimicrobianas usuais do intestino seriam severamente diminuídas na DC ativa. Isso incluiria secreções das células de Paneth [8]. Talvez então seja uma redução na defesa da mucosa que permite que um grande número de micróbios se proliferem no intestino delgado na DC.

O que essa teoria não explica é porque nem todos os pacientes com DC desenvolvem SIBO. Por que as associações mais altas entre DC e SIBO são observadas em pacientes com DCNR, após eles iniciarem uma dieta sem glúten? 

Uma opção possível a ser considerada é o diagnóstico incorreto de DC nesses pacientes, particularmente porque SIBO demonstrou causar atrofia das vilosidades, um dos achados marcantes da DC ativa e também devido à dificuldade de diagnosticar DC duvidosa em primeiro lugar [9]. Talvez esses pacientes simplesmente nunca tenham tido DC? 

Outra opção possível é que a mudança repentina na dieta que ocorre ao remover o glúten seja propícia para o supercrescimento bacteriano, independentemente da ocorrência de DC. 

Um dos principais fatores relatados como afetando o crescimento e a diversidade microbiana é a dieta. Um estudo piloto de intervenção descobriu que a mudança de uma dieta rica em fibras para uma dieta pobre em fibras e com alto teor de açúcar simples agiu como um gatilho para distúrbios gastrointestinais funcionais e diminuição da diversidade microbiana do intestino delgado, enquanto aumenta a permeabilidade do intestino delgado [ 10 ]. 

Nesse caso, vale a pena examinar a composição dietética da dieta sem glúten, caso acarrete redução de fibras ou aumento de açúcares simples, isso poderia atuar como um potencial gatilho para SIBO?

Nos últimos anos, passamos a apreciar o microbioma humano como o principal modulador de muitos processos fisiológicos. A disbiose microbiana e taxa bacteriana específica foram associados a vários distúrbios, incluindo DC [ 11 ]. 

A pesquisa sobre o microbioma do intestino delgado ainda está em sua infância, porém achados interessantes já surgiram, demonstrando uma diferença na diversidade entre pacientes com e sem SIBO, principalmente na diversidade da mucosa [10, 12]. 

É importante ressaltar que esses estudos destacam as limitações das técnicas tradicionais baseadas em cultura, mostrando que os resultados baseados em cultura de aspirados do intestino delgado não correspondem à composição da microbiota aspirada avaliada por técnicas independentes de cultura. Esses estudos também destacam a capacidade potencial de diagnóstico do microbioma do intestino delgado em estados de doença.

Em conclusão, as ligações entre SIBO e Doença Celíaca foram identificadas, particularmente em pacientes com DCNR. Os mecanismos exatos dessa associação não são bem conhecidos, embora possamos hipotetizar que alterações na defesa da mucosa e mudanças na composição da dieta podem alterar a diversidade e as populações microbianas da mucosa. 

Isso poderia dar origem ao SIBO em alguns indivíduos. A falta de diagnósticos precisos para SIBO precisa ser corrigida antes que possamos mostrar causalidade ou mera associação entre SIBO e DC. 

Se pudermos entender os mecanismos envolvidos no desenvolvimento de SIBO nesses indivíduos, talvez usando novas tecnologias centradas na identificação microbiana independente de cultura, isso pode levar a um melhor diagnóstico e tratamento para ambas as condições.


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