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segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Perfil metabólico de Celíacos Brasileiros




Convidei o médico Dr Fernando Valério, especialista em Doença Celíaca, para fazermos uma entrevista ao vivo no Instagram, no dia 04 de agosto de 2020, abordando alterações metabólicas na Doença Celíaca.

Para ter uma conexão maior com a realidade da Comunidade Celíaca brasileira, fiz um questionário online, anônimo, para Celíacos diagnosticados através de exames específicos e maiores de 18 anos e divulguei nas redes sociais do Riosemgluten (Instgram e Facebook) durante dois dias no final de julho de 2020.

514 celíacos responderam as questões do questionário!

A grande maioria de participantes foi de mulheres - 93%

A idade variou bastante mas o grupo maior foi de pessoas entre 29 e 50 anos (solicitei que só maiores de 18 anos respondessem).



No momento do diagnóstico:
33,5% estavam acima do peso ou obesos
31,7% estavam com peso normal
32,9% estavam com baixo peso
e alguns não lembravam mais do peso no momento do diagnóstico.

Esses números representam um avanço pois a doença celíaca, até alguns anos atrás, não era investigada no grupo de pessoas com sobrepeso ou obesas. Havia uma cortina escondendo esse grupo. Até hoje ainda existem médicos que se recusam a investigar Doença Celíaca em pessoas acima do peso. Esse cenário finalmente está mudando.

Atualmente, após o início do tratamento com dieta sem glúten, esses números mudaram:
46,8% estão acima do peso ou obesos
39,7% tem peso normal
13,4% tem baixo peso


No grupo de celíacos.
18,1% fazem dieta para PERDER peso
6,4% fazem dieta para GANHAR peso



Muitas vezes ouvimos que o ganho de peso pode acontecer por causa da presença de alterações na glândula tireóide. O grupo que respondeu ao questionário está assim distribuido:
57,4% não tem alterações na tireóide
10,3% tem hipotiroidismo
8,8% tem Tireoidite de Hashimoto (doença autoimune)
19,1% não sabe se tem alterações da tireoide

e um outro pequeno grupo tem Doença de Graves, hipertiroidismo ou precisou fazer cirurgia para retirada da glândula tireoide.



Então é possível observar que o grupo com aumento de peso é bem maior do que o grupo com alterações na tireoide. Uma pergunta que fica é: 19,1% dos celíacos não sabem responder sobre o funcionamento da sua glândula tireoide. A prevalência de Tireoidite de Hashimoto entre celíacos é aumentada, pois também é uma doença autoimune. É preciso periodicamente acompanhar para que o diagnóstico precoce possa ser feito. Talvez alguns celíacos com aumento de peso ou baixo peso estejam nesse grupo que precisa acompanhar melhor como estão os hormônios da tireoide e seu funcionamento.

Ao verificar outras informações vimos que no grupo de celíacos que respondeu ao questionário temos:

51,8% tem pressão arterial normal
8,2% tem pressão alta
38,9% tem pressão baixa

Mas vimos também que 10,5% dos celíacos fazem uso de medicação para controle da pressão arterial.



Quando perguntados sobre os valores de glicemia de jejum 32,7% não souberam responder... O risco de diabetes autoimune é aumentado no grupo de celíacos. Seja o diabetes tipo 1 (diagnosticado em crianças e jovens), seja o diabetes tipo LADA, diagnosticado em adultos. Então, da mesma forma que celíacos precisam monitorar o funcionamento da tireoide, também precisam estar atentos ao funcionamento do pâncreas e a produção de insulina.

54,7% tem a glicemia de jejum entre 70 e 100, considerados valores normais. 8% declararam valores menores que 70, que já são considerados como hipoglicemia (algumas pessoas com resistência à insulina podem apresentar valores abaixo de 70, por isso a importância de sempre medir glicemia e insulina de jejum ao mesmo tempo, para saber se há alterações na produção de insulina).

Quando perguntados sobre diagnóstico de diabetes, 90,9% dos celíacos afirmam não ter , 7% tem pré-diabetes e 2,1% tem diabetes.



Na lista de exames de acompanhamento podemos observar há poucos pedidos de homocisteína, Proteína C Reativa ( comum ou ultrassensível) e insulina de jejum assim como a hemoglobina glicada e o zinco. O monitoramento da anemia (através do hemograma), das taxas de colesterol e triglicerideos (através do lipidograma) e da glândula tireoide parece estar mais consolidado (embora ainda precise melhorar - praticamente 20% dos celíacos não sabem responder se tem ou não alteração na glândula tireoide).



A doença celíaca é uma doença crônica e, justamente por essa característica, precisa de acompanhamento ao longo da vida do paciente. E estamos falhando nisso com certeza.

As alterações metabólicas que podem levar ao diagnóstico de SÍNDROME METABÓLICA - um conjunto de condições que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2 - podem estar presentes em pessoas gordas ou magras.

Segundo os critérios brasileiros, a Síndrome Metabólica ocorre quando estão presentes 3 dos 5 critérios abaixo:

1 - Ter triglicerideos alto (lipidograma)
2 - Ter HDL baixo (lipidograma)
3 - Ter aumento da pressão arterial ou tomar remédio para controle da pressão
4 - Ter glicemia de jejum acima de 110 ou ter diagnóstico de diabetes (ou estar fazendo uso de medicação para controle da glicemia)
5 - Ter a circunferência da cintura maior que 88cm (mulheres) ou 102cm (homens)

Existem outros fatores que associados, confirmam o diagnóstico de Síndrome Metabólica, como a presença de gordura no fígado e Resistência à Insulina.

Um dado que me supreendeu de forma positiva no questionário foi o fato de que 58,6% dos celíacos receberam orientação de um nutricionista sobre a dieta sem glúten. Há 20 anos esse atendimento no início do diagnóstico era algo raro e pouco lembrado pelos gastroenterologistas.



Resumindo:

Como interpretar esses dados? Tenho algumas hipóteses:

A - Celíacos diagnosticados e já em dieta sem glúten tem a mesma chance que a população em geral de apresentar alterações metabólicas. Precisamos aprender e falar sobre isso.

B - A dieta sem glúten precisa ser olhada tanto na questão de ser rigorosa (não furar a dieta e cuidar dos riscos da contaminação cruzada por glúten) quanto na sua composição (densidade nutricional).

C - Inflamação crônica de baixo grau. Além de nos tornar especialistas em manter a dieta sem glúten e fazer exames sorológicos periodicamente para garantir que não estamos produzindo anticorpos contra a gliadina ou contra nossos próprios tecidos e células, precisamos aprender mais sobre esse tipo de inflamação, que está ligada à permeabilidade intestinal alterada.

No grupo que respondeu ao questionário vimos:
10,5% fazendo uso de medicação para controle da pressão
9,1 % com pré-diabetes /diabetes
12,6% com obesidade

Não perguntei sobre os resultados de triglicerideos e HDL. Será que teríamos também algo em torno de 10% de celíacos com alterações no lipidograma?

A Síndrome Metabólica pode ser REVERTIDA quando diagnostica precocemente assim como pode ser PREVENIDA se estivermos atentos à ela.

Vamos usar nossa capacidade de autocuidado que aprendemos a ter em relação a ficar longe do glúten para também ficarmos longe da Síndrome Metabólica!

Raquel Benati - @rio_sem_gluten
03/08/2020

quinta-feira, 30 de julho de 2020

Saúde Cardiovascular na Doença Celíaca






Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Envolvimento Cardiovascular na Doença Celíaca


Cardiovascular involvement in celiac disease

Edward J Ciaccio, Suzanne K Lewis, Angelo B Biviano, Vivek Iyer, Hasan Garan, Peter H Green

World J Cardiol. 2017 Aug 26;9(8):652-666. doi: 10.4330/wjc.v9.i8.652.


PMID: 28932354 PMCID: PMC5583538 DOI: 10.4330/wjc.v9.i8.652


A doença celíaca (DC) é uma resposta autoimune à ingestão de proteína de glúten, encontrada nos grãos de trigo, centeio e cevada, e resulta em manifestações do intestino delgado, incluindo atrofia das vilosidades, bem como manifestações sistêmicas. 

O principal tratamento para a doença é uma dieta isenta de glúten (DIG), que normalmente resulta na restauração das vilosidades do intestino delgado e na restauração de outros sistemas orgânicos afetados, ao seu funcionamento normal. Em um número crescente de estudos publicados recentemente, tem havido grande interesse na ocorrência de alterações no sistema cardiovascular na DC não tratada. Aqui, foram revisados ​​os estudos publicados nos quais os termos "Doença Celíaca" e "cardiovascular" aparecem no título do estudo. 

As publicações foram categorizadas em um dos vários tipos: 
(1) artigos (incluindo estudos de coorte e caso-controle);
(2) revisões e meta-análises;
(3) estudos de caso (um a três relatos de pacientes);
(4) cartas;
(5) editoriais; e 
(6) resumos (usados ​​quando nenhum trabalho completo foi publicado). 

Os estudos foram subdivididos em estudos cardíacos ou vasculares e foram ainda caracterizados pela condição específica que era evidente em conjunto com a DC. As informações da publicação foram determinadas usando a ferramenta de pesquisa do Google Scholar. Para cada publicação, o tipo e ano de publicação foram tabulados. Informações salientes de cada artigo foram compiladas. 

Foi observado que houve um aumento acentuado no número de estudos cardiovasculares em DC desde 2000. A maioria das publicações é do tipo "artigo" ou "estudo de caso". O maior número de documentos publicados referia-se à DC em conjunto com cardiomiopatia (33 estudos), e também houve um número substancial de estudos publicados sobre DC e trombose (27), risco cardiovascular (17), aterosclerose (13), acidente vascular cerebral (12), função arterial (11) e cardiopatia isquêmica (11). 

Com base na pesquisa publicada, pode-se concluir que muitos tipos de problemas cardiovasculares podem ocorrer em pacientes com DC não tratados, mas a maioria tende a se resolver após uma Dieta Isenta de Glúten, geralmente em conjunto com a cura da atrofia das vilosidades do intestino delgado. No entanto, em alguns casos as alterações são irreversíveis, ressaltando a necessidade de triagem e tratamento da Doença Celíaca quando surgem problemas cardiovasculares de etiologia desconhecida. 



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Aumento da rigidez arterial e sua relação com inflamação, insulina e resistência à insulina na doença celíaca


"Increased arterial stiffness and its relationship with inflammation, insulin, and insulin resistance in celiac disease"

Hüseyin Korkmaza , Mehmet Sozenb and Levent Kebapcilarc

European Journal of Gastroenterology & Hepatology, 27 (10), 1193-1199.  (2015). 
doi: 10.1097 / meg.0000000000000437 


RESUMO:


A doença celíaca objetiva (DC) é um distúrbio inflamatório crônico do intestino delgado, mediado por imunidade, precipitado por exposição ao glúten e proteínas relacionadas na dieta, em indivíduos geneticamente predispostos. 

Estudos recentes lançaram nova luz sobre a importância da inflamação na patogênese da rigidez arterial. O objetivo deste estudo foi avaliar a rigidez arterial utilizando "Velocidade de Onda de Pulso" (VOP) em pacientes adultos com DC sem fatores de risco cardiovascular em comparação com um grupo controle.

"Velocidade de Onda de Pulso" (PWW)


Um total de 58 pacientes com DC sem fatores de risco cardiovascular e pareados por idade e por sexo com controles saudáveis ​​foram incluídos no estudo. Todos os pacientes preencheram um formulário padrão de questionário e vários parâmetros foram avaliados. As características demográficas, os fatores de risco cardiovascular clássicos e os fatores bioquímicos, hormonais e parâmetros hematológicos de pacientes e controles com DC foram mostrados na Tabela 1* (*resumo da tabela - ver tabela completa no texto original). 

Embora fatores de risco cardiovascular, como LDL e triglicerídeos tenham sido significativamente menores em pacientes celíacos do que nos controles, a taxa de sedimentação de eritrócitos, proteína C reativa, insulina, HOMA-IR, homocisteína e valores de 24 h, dia e noite, de VOP foram maiores em pacientes com DC do que em controles. Uma análise de regressão linear múltipla mostrou que a VOP estava correlacionada positivamente com a idade e duração da DC.


Tabela 1.
Características demográficas e laboratoriais e fatores de risco cardiovascular em
controles e pacientes com doença celíaca

PARÂMETROS
PACIENTES CELÍACOS
CONTROLES
P
Idade (anos)
32,69 ± 8,87
32,51 ± 8,45
NS
Feminino / masculino [n(%)]
46 (79,3) / 12 (21,7)
40 (77) / 12 (23)
NS
Duração da DC (meses)
24,0 (10,5–66,0)
-
-
IMC (kg / m2)
23,75 ± 4,50
24,82 ± 3,06
NS
Glicose (mg / dl)
93,52 ± 10,8
87,21 ± 6,43
0,01
Triglicerídeo (mg / dl)
88,48 ± 44,61
149,85 ± 14,48
<0,001
Colesterol (mg / dl)
161,55 ± 45,67
149,38 ± 15,03
NS
LDL-C (mg / dl)
104,13 ± 36,09
132,61 ± 12,87
0,001
HDL-C (mg / dl)
43,48 ± 1 2,22
38,51 ± 4,42
0,05
PCR (mg / l)
3,45 (3,44–3,45)
3,0 (2,0–4,0)
0,04
VHS (mm / h)
12,0 (5,5-20,5)
3,0 (2,0-4,0)
<0,001
Insulina (UI / ml)
7,7 (5,2-12,3)
4,0 (3,0-5,2)
<0,001
HOMA-IR
1,7 (1,1–2,6)
0,8 (0,67–1,22)
<0,001
Homocisteína (μmol / l)
14,45 ± 8,02
8,52 ± 3,02
0,01

Os resultados foram apresentados como média ± DP ou mediana e intervalo interquartil (Q1 – Q3).
P <0,05 foi considerado estatisticamente significante.


Não houve diferenças significativas nos parâmetros demográficos entre os dois grupos. A glicose (P = 0,01), PCR (P = 0,04), VHS (P <0,001), insulina (P <0,001), HOMA-IR (P <0,001) e Homcisteína (P = 0,01) foram significativamente maiores em pacientes com DC. 

A hemoglobina (P = 0,009), ferro (P <0,001), ferritina (P <0,001), triglicerídeo (P = 0,001), e LDL-C (P = 0,001) foram significativamente menores no grupo com DC do que nos controles. Além disso, os resultados laboratoriais restantes não diferiram entre os dois grupos.

Este estudo encontrou aumentos na rigidez arterial, na homocisteína, na taxa de sedimentação de eritrócitos, na proteína C reativa, na insulina e HOMA-IR em pacientes com DC e fornece evidências para potencial contribuição desses parâmetros e a inflamação no enrijecimento arterial, independente dos fatores de risco cardiovascular convencionais.

Artigo original:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26181110/




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Complicações tromboembólicas e eventos cardiovasculares associados à doença celíaca


"Thromboembolic complications and cardiovascular events associated with celiac disease"

Fotios S Fousekis,  Eleni T Beka,  Ioannis V Mitselos ,  Haralampos Milionis ,  Dimitrios K Christodoulou 

J Med Sci . 2020 20 de julho. doi: 10.1007 / s11845-020-02315-2.
PMID: 32691305 DOI: 10.1007 / s11845-020-02315-2


RESUMO

A doença celíaca (DC) é uma doença imunomediada intestinal crônica que ocorre em indivíduos geneticamente suscetíveis e expostos ao glúten. Embora afete principalmente o intestino delgado, a DC tem sido associada a um amplo espectro de manifestações extraintestinais, incluindo tromboembolismo e eventos cardiovasculares. 

O risco de acidente vascular cerebral isquêmico, infarto do miocárdio e tromboembolismo, como trombose venosa profunda e embolia pulmonar, é maior em pacientes com DC, enquanto há evidências acumuladas de que a dieta sem glúten em pacientes com DC diminui o risco dessas complicações.
O mecanismo patogenético de aumentar a hipercoagulabilidade na DC é multifatorial e envolve hiper-homocisteinemia devido à má absorção das vitaminas B12, B6 e ácido fólico; disfunção endotelial; aceleração da aterosclerose; inflamação crônica; trombocitose; e trombofilia. Portanto, em casos de complicações tromboembólicas e doença cardiovascular de etiologia obscura, é necessária a conscientização dos médicos sobre uma possível doença celíaca.


Artigo Original:
https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs11845-020-02315-2




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Avaliação da função cardíaca sistólica e diastólica e rigidez arterial em indivíduos com diagnóstico recente de doença celíaca sem fatores de risco cardiovascular


"Evaluation of systo-diastolic cardiac function and arterial stiffness in subjects with new diagnosis of coeliac disease without cardiovascular risk factors"

Edoardo Sciatti , Nicola Bernardi , Lucia Dallapellegrina , Francesca Valentini , Davide Fabbricatore , Marta Scodro , Annunziata Cotugno , Marco Alonge , Francesca Munari , Barbara Zanini , Chiara Ricci , Enrico Vizzardi 

Intern Emerg Med. 2020 Jan 2.

PMID: 31898206 DOI: 10.1007/s11739-019-02261-7




RESUMO


Na literatura, existem opiniões conflitantes sobre o desenvolvimento de risco de doença cardiovascular em pacientes com doença celíaca (DC). O objetivo da pesquisa foi identificar em indivíduos jovens sem fator de risco cardiovascular e DC recém diagnosticada, alterações em diferentes parâmetros instrumentais associados a um risco cardiovascular aumentado. 

Vinte e um jovens adultos com um diagnóstico recente de DC e sem fatores de risco cardiovascular foram prospectivamente inscritos e submetidos ao ecocardiograma transtorácico para analisar as propriedades elásticas da aorta ascendente [incluindo estirpe de imagem por Doppler tecidual (TDI-ε)] e cepas 2D do ventrículo esquerdo (longitudinal global , radial e circunferencial) e tonometria de aplanação por SphygmoCor. 

Os casos foram comparados com 21 controles saudáveis ​​de acordo com a idade e o sexo. A idade média dos casos foi de 38 ± 9 anos e 15 deles (71%) eram do sexo feminino. 

A pressão arterial braquial e central foi maior no grupo com DC. 

As propriedades elásticas da aorta ascendente foram todas prejudicadas no grupo DC: o TDI-ε foi alterado em 57% dos casos (0% dos controles, p <0,001). 

O remodelamento concêntrico e a disfunção diastólica grau I estavam presentes em 38% e 24% dos casos, respectivamente (0% dos controles, p <0,001). 

A tensão longitudinal global foi normal em todos os indivíduos, enquanto a tensão radial e circunferencial foram alteradas em 67% e 35%, respectivamente (0% dos controles, p <0,001). 

Em indivíduos jovens sem fator de risco cardiovascular, uma DC recém-diagnosticada está associada a propriedades elásticas alteradas da aorta, remodelamento concêntrico do ventrículo esquerdo e disfunção diastólica e distensão radial e circunferencial alterada.


Artigo Original:
https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs11739-019-02261-7


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Marcadores de inflamação e doença cardiovascular em pacientes com doença celíaca diagnosticados recentemente


World J Cardiol. 2017 May 26;9(5):448-456.

"Markers of inflammation and cardiovascular disease in recently diagnosed celiac disease patients"

Walter F Tetzlaff, Tomás Meroño, Martin Menafra, Maximiliano Martin, Eliana Botta, Maria D Matoso, Patricia Sorroche, Juan A De Paula, Laura E Boero, Fernando Brites 

PMID: 28603593 PMCID: PMC5442414 DOI: 10.4330/wjc.v9.i5.448

RESUMO


Objetivo: Avaliar novos fatores de risco e biomarcadores de doença cardiovascular em pacientes com doença celíaca (DC) em comparação com controles saudáveis.

Métodos: Vinte pacientes adultos com diagnóstico recente de DC e 20 controles saudáveis ​​de acordo com o sexo, a idade e o índice de massa corporal foram recrutados durante um período de 12 meses. 

Foram determinados indicadores do metabolismo dos carboidratos, parâmetros hematológicos e Proteína C Reativa ultrassensível (PCR-us). Além disso, o metabolismo das lipoproteínas também foi explorado através da avaliação do perfil lipídico e da atividade da proteína de transferência do éster de colesteril e da fosfolipase A2 associada à lipoproteína, que também é considerado um marcador específico de inflamação vascular. 

O protocolo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade de Buenos Aires e do Hospital Italiano de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina.

Resultados: 

Em relação aos indicadores de resistência à insulina, os pacientes com DC apresentaram níveis mais altos de insulina no plasma [7,2 (5,0-11,3) mU / L vs 4,6 (2,6-6,7) mU / L, P <0,05], aumento do HOMA-IR [ 1,45 (1,04-2,24) vs 1,00 (0,51-1,45), P <0,05] e menor índice de QUICK [0,33 (0,28-0,40) vs 0,42 (0,34-0,65), P <0,05]. 

A concentração de ácido fólico [5,4 (4,4-7,9) ng / mL vs 12,2 (8,0-14,2) ng / mL, P <0,01] resultou ser menor e os níveis de proteína C reativa ultrassensível mais altos (4,21 ± 6,47 mg / L vs 0,98 ± 1,13 mg / L,P <0,01) no grupo de pacientes com DC. 

Com relação ao perfil de lipoproteínas, os pacientes com DC apresentaram menor HDL-C (45 ± 15 mg / dL vs 57 ± 17 mg / dL, P <0,05) e Apo AI (130 ± 31 mg / dL vs 155 ± 29 mg / dL, P <0,05), bem como níveis mais altos de colesterol total / HDL-C [4,19 (3,11-5,00) vs 3,52 (2,84-4,08), P <0,05] e Apo B / Apo AI ( Razões 0,75 ± 0,25 vs 0,55 ± 0,16, P <0,05) em comparação com os indivíduos controle. 

Não foram detectadas diferenças estatisticamente significativas nas proteínas e enzimas de transferência lipídica associadas à lipoproteína.


Conclusão: A presença e interação das alterações detectadas em pacientes com DC constituiriam fator de risco para o desenvolvimento de doença cardiovascular aterosclerótica.


Fonte:
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28603593/




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Aterosclerose e envolvimento cardiovascular na doença celíaca: o papel da autoimunidade e inflamação


"Atherosclerosis and cardiovascular involvement in celiac disease: the role of autoimmunity and inflammation"

L Santoro 1, G De Matteis, M Fuorlo, B Giupponi, A M Martone, F Landi, R Landolfi, A Santoliquido

Eur Rev Med Pharmacol Sci . 2017 Dec;21(23):5437-5444. 


PMID: 29243787 DOI: 10.26355/eurrev_201712_13932



Resumo

Objetivo: O objetivo desta revisão é explorar as evidências sobre a associação entre doença celíaca (DC), aterosclerose (AE) e doenças cardiovasculares (DCV), e o papel da inflamação nesse contexto.

Materiais e métodos: Foi realizada uma busca sistemática da literatura usando o PubMed, EMBASE e Cochrane Library para a associação entre doenças DC, AE e DCV.

Resultados: Vários estudos relataram a associação de DC com AE acelerada, como evidenciado pelas alterações de vários parâmetros indicativos de AE subclínica, como aumento da espessura íntima-média da artéria carótida, disfunção endotelial e aumento da rigidez arterial. 

Além disso, evidências recentes relataram um aumento da prevalência de doenças cardiovasculares em pacientes com DC em relação aos controles, muitos dos quais incluindo doenças isquêmicas como infarto agudo do miocárdio e angina de peito, além de morte por doença isquêmica do coração e, mais raramente, acidente vascular cerebral por doenças cerebrovasculares. Outras doenças cardiovasculares não isquêmicas associadas à DC são representadas por cardiomiopatia dilatada, fibrilação atrial e miocardite.


Conclusões: Com base na associação relatada entre  DC, AE e DCV, sugerimos realizar uma avaliação de risco cardiovascular mais detalhada em todos os pacientes com DC do que o que está sendo alcançado atualmente na prática clínica, a fim de escanear e tratar os fatores de risco cardiovascular modificáveis nesses pacientes. Em particular, sugerimos recorrer a técnicas instrumentais para detectar AE no estágio subclínico, a fim de prevenir o desenvolvimento de AE e doenças cardiovasculares em pacientes com DC.


Fonte:

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Doença Celíaca, dieta sem glúten e distúrbios metabólicos e hepáticos




Celiac Disease, Gluten-Free Diet, and Metabolic and Liver Disorders

Marco Valvano, Salvatore Longo, Gianpiero Stefanelli, Giuseppe Frieri, Angelo Viscido e Giovanni Latella 

Gastroenterologia, Divisão de Hepatologia e Nutrição, Departamento de Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente, Universidade de L'Aquila, Itália

Nutrients 2020 , 12 (4), 940; doi.org/10.3390/nu12040940

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


RESUMO


Há evidências de que a Dieta Isenta de Gúten (DIG) pode levar a maior ingestão de carboidratos simples, proteínas e gorduras saturadas e uma menor ingestão de carboidratos complexos  e fibras. 

Em pacientes com Doença Celíaca (DC) em uma dieta isenta de  glúten, foi encontrada uma maior ingestão de gorduras em comparação com os controles, confirmando que a DIG a longo prazo pode não ser nutricionalmente equilibrada. 

Além disso, muitos alimentos sem glúten são caracterizados por um índice glicêmico mais alto do que o equivalente em alimentos contendo glúten. É provável que a ausência de glúten, por um lado, aumente a capacidade da enzima amilase de digerir amido no lúmen intestinal, aumentando assim a absorção do amido e, por outro, determine a palatabilidade de alguns alimentos sem glúten, induzindo uma preferência a alimentos hiperproteicos e hiperlipidêmicos.

Em pacientes com DC em uma dieta isenta de glúten, tanto o aumento da absorção de nutrientes (como resultado da melhora da atrofia da mucosa intestinal) quanto a ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples mais elevados podem contribuir para a piora do estado metabólico e ao aumento da prevalência de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) - acúmulo de gordura no fígado - nesses pacientes.

Evidências recentes sugeriram que, apesar de celíacos adotarem uma dieta sem glúten por toda a vida, alguns distúrbios podem persistir, por exemplo, aumento da permeabilidade intestinal, supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), alterações na microbiota (disbiose), insuficiência pancreática exócrina e inflamação gastrointestinal de baixo grau. Alguns desses distúrbios podem ser responsáveis ​​pelo desenvolvimento da DHGNA. Desses fatores, o mais estudado foi a alteração na função de  barreira  da mucosa, em particular a permeabilidade intestinal.

Portanto, a epidemia global de obesidade e DHGNA, o aumento dos valores de IMC (índice de massa corporal) no diagnóstico de Doença Celíaca e o impacto de uma dieta isenta de glúten no status metabólico desses pacientes podem ser importantes e podem mudar conceitos históricos do estado de desnutrição de pacientes celíacos.


MATERIAIS E MÉTODOS

Uma pesquisa eletrônica sistemática da literatura (escrita em inglês) de janeiro de 2009 a dezembro de 2019 foi realizada usando o Medline (PubMed), Web of Science, Scopus e a Biblioteca Cochrane. A pesquisa incluiu uma combinação de títulos de Assunto Médico (MeSH) e palavras-chave.

A pesquisa foi limitada a estudos conduzidos em humanos, pacientes adultos com Doença Celíaca em uma dieta isenta de glúten. Estudos sobre populações pediátricas (0 a 16 anos) foram excluídos. Foram considerados estudos de coorte prospectivos e retrospectivos, estudos de caso-controle e estudos transversais analíticos.



DISCUSSÃO

Os estudos incluídos nesta revisão mostraram uma prevalência e incidência aumentadas de DHGNA (gordura no fígado) e ganho de peso, um pior perfil lipídico (colesterol e cia.) e altos níveis de glicose no sangue, sugerindo que mudanças importantes ocorrem em pacientes celíacos em uma dieta sem glúten.

Os mecanismos que levam a DC e a DIG às alterações metabólicas, como o aumento do peso corporal e do IMC, os níveis de triglicerídeos e colesterol no sangue e os níveis de glicose no sangue, bem como o desenvolvimento de DHGNA, ainda precisam ser esclarecidos. 

Essas alterações metabólicas podem ocorrer devido ao aumento dos processos de absorção de nutrientes após o início da dieta isenta de glúten ou ao consumo de uma dieta hipercalórica rica em gorduras e carboidratos simples (açúcares). A regressão da inflamação e atrofia da mucosa intestinal induzida pela DIG pode levar a uma melhora acentuada da absorção intestinal de nutrientes em indivíduos que estão em um estado hiperfágico compensatório. Isso é indiretamente confirmado pelo fato de que em pacientes com DC, um grau mais grave de atrofia das vilosidades e diarreia concomitante foram preditores independentes para um IMC menor. 

A não adesão à dieta isenta de glúten parece contribuir para a perda de peso, enquanto a adesão pode ser um fator importante na determinação do ganho de peso em pacientes com DC. Além disso, a duração da DIG foi considerada uma possível variável que afeta as alterações no IMC.

Vários estudos demonstraram que a dieta isenta de glúten, embora seja o único tratamento disponível para DC, tem efeitos potencialmente negativos no estado nutricional e metabólico. 

Um estudo britânico relatou que pacientes com Doença Celíaca do sexo feminino consumiram significativamente mais energia de todos os macronutrientes quando comparadas a uma população não celíaca, atribuindo isso à maior ingestão de lanches doces que eram mais ricos em gordura saturada. Os pacientes com DC também tiveram uma ingestão significativamente menor de fibras.

Há evidências de que a dieta isenta de glúten pode determinar uma maior ingestão de açúcares simples, proteínas e gorduras saturadas e uma menor ingestão de carboidratos complexos e fibras. Em pacientes com DC em uma DIG, foi encontrada uma maior ingestão de gorduras em comparação com os controles, confirmando que a dieta isenta de glúten a longo prazo pode não ser nutricionalmente equilibrada. Além disso, muitos alimentos sem glúten são caracterizados por um índice glicêmico mais alto do que os equivalentes de alimentos contendo glúten. É provável que a ausência de glúten, por um lado, aumente a capacidade da enzima amilase de digerir amido no lúmen intestinal, aumentando assim a absorção do amido e, por outro, determine a palatabilidade de alguns alimentos sem glúten, induzindo uma preferência por alimentos hiperproteicos e alimentos hiperlipidêmicos.

Em pacientes com Doença Celíaca em uma dieta isenta de glúten, tanto o aumento da absorção de nutrientes (como resultado da melhora da atrofia da mucosa intestinal) quanto a ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples mais elevados podem contribuir para a piora do estado metabólico e ao aumento da prevalência de DHGNA nesses pacientes.

Evidências recentes sugeriram que, apesar de pacientes celíacos seguirem uma dieta sem glúten por toda a vida, alguns distúrbios podem persistir, por exemplo, aumento da permeabilidade intestinal, supercrescimento bacteriano do intestino delgado, alterações na microbiot (disbiose), insuficiência pancreática exócrina e inflamação gastrointestinal de baixo grau. Alguns desses distúrbios podem ser responsáveis ​​pelo desenvolvimento da DHGNA. Desses fatores, o mais estudado foi a alteração na função de  barreira da mucosa, em particular a permeabilidade intestinal.

Vários estudos demonstraram que a permeabilidade intestinal pode desempenhar um papel na patogênese da DHGNA. De fato, algumas endotoxinas, como lipopolissacarídeos (endotoxinas comuns de bactérias intestinais), podem atingir o fígado e desencadear uma reação imune através dos "receptores do tipo Tall". A redução na incidência de DHGNA após o início de uma DIG pode estar relacionada à melhora da inflamação e da atrofia e permeabilidade da mucosa intestinal induzida pela dieta. Se uma barreira intestinal comprometida é uma causa ou efeito da DHGNA, isso requer estudo adicional, embora a teoria predominante seja que a endotoxina derivada de bactérias e citocinas relacionadas possam desempenhar um papel central na evolução da esteatose hepática na DHGNA. 

Além dos mecanismos descritos anteriormente, a própria dieta sem glúten pode ter um papel nessas alterações. Nos últimos anos, o perfil nutricional de alimentos sem glúten tem sido cada vez mais questionado na comunidade científica. A qualidade nutricional dos alimentos sem glúten atualmente disponíveis no mercado é inadequada - baixo teor de proteínas e alto teor de gorduras. Dados de estudos sobre alimentos sem glúten indicaram que é necessário diminuir a gordura e calorias e incluir mais fibras, proteínas, eletrólitos, vitaminas e outros micronutrientes. 

Outro fator importante que geralmente não é levado em consideração é o mercado de alimentos sem glúten e a força econômica dos pacientes com Doença Celíaca. A disponibilidade de alimentos sem glúten aumentou na maioria dos mercados, especialmente nos mais caros. A menor disponibilidade e qualidade dos alimentos sem glúten vendidos em mercados mais baratos pode impactar desproporcionalmente as coortes socioeconômicas pobres. 

Finalmente, um estado compensatório hiperfágico geralmente segue distúrbios de má absorção e induz ganho de peso.

Todos os fatores mencionados acima podem contribuir para o desenvolvimento de DHGNA em pacientes com DC em dieta sem glúten. É importante ressaltar que a DHGNA é considerada uma expressão hepática potencial da Síndrome Metabólica (SM). 

A SM envolve fatores de risco interrelacionados para doenças cardiovasculares e diabetes. Esses fatores incluem hipertensão, baixos níveis de colesterol HDL, níveis elevados de triglicerídeos, resistência à insulina / diabetes tipo 2 e adiposidade central. A fisiopatologia dessas condições não é clara, mas várias hipóteses foram propostas.

A maioria dos estudos na literatura mostrou que pacientes com DC (no momento do diagnóstico) têm um IMC menor que a população geral; portanto, o ganho de peso de uma DIG pode ter efeitos positivos nesses pacientes. No entanto, foi demonstrado claramente que atualmente, um número crescente de pacientes com DC apresenta um IMC normal ou alto no momento do diagnóstico.

É importante ressaltar que, apesar das melhorias no peso corporal (ganho de peso em pacientes com baixo peso e perda de peso em pacientes com excesso de peso), os pacientes com peso normal geralmente ganham peso. 

De fato, foi observado um aumento no IMC médio em todos os estudos encontrados.. Em pacientes com DC em uma DIG, o aumento do IMC provavelmente está relacionado ao aumento da ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples, mas provavelmente também à redução da atividade física. 

Mais da metade das mulheres com doença celíaca frequentemente relatam baixa atividade física antes e depois de uma DIG. A atividade física reduzida pode estar ligada à fadiga crônica, que é um achado comum em pacientes com DC, o que melhora com a DIG. O aumento do peso corporal e do IMC pode representar um fator de risco para DHGNA e diabetes tipo 2.

Portanto, a epidemia global de obesidade e DHGNA, aumento dos valores de IMC no diagnóstico de DC e o impacto de uma dieta isenta de glúten no status metabólico desses pacientes podem ser importantes e podem mudar conceitos históricos do estado de desnutrição de pacientes celíacos.

O diabetes tipo 2 por si só não parece estar aumentado em pacientes com DC em comparação com os controles. Apenas em dois estudos, uma prevalência mais alta de hiperglicemia foi relatada em pacientes com DC após dieta isenta de glúten em comparação com a observada no diagnóstico da DC. Em nenhum desses estudos, os critérios atuais para o diagnóstico de diabetes tipo 2 foram especificados e adotados; o diabetes pode ser diagnosticado com base nos critérios de glicose no plasma, tanto no valor da glicemia de jejum como no valor de 2 h de glicose no plasma durante um teste oral de tolerância à glicose de 75 g (TOTG) ou nos critérios de hemoglobina glicada.
Portanto, a dieta isenta de glúten parece induzir apenas um ligeiro aumento nos níveis de glicose no sangue em jejum, mas não um aumento real na prevalência de diabetes tipo 2 (DT2). Em alguns casos, o diagnóstico de DT2 foi feito antes do diagnóstico de DC, portanto, a dieta isenta de glúten não teve papel no desenvolvimento do diabetes.

Embora a DHGNA e o DT2 sejam freqüentemente encontrados juntos em adultos, em pacientes com DC, o aumento na prevalência de DHGNA não associado ao diabetes pode ser detectado; na maioria dos pacientes com DC a DHGNA parece estar associada apenas a um ligeiro aumento nos níveis de glicose no sangue em jejum.

Sabe-se que a incidência de DT2 aumenta com a idade e o IMC e está intimamente ligada à dieta e à etnia. O aumento do peso corporal e do IMC observado em pacientes com DC após DIG poderia, teoricamente, ser um fator de risco para DHGNA e para DT2, mas este último não parece estar aumentado na DC, seja no diagnóstico ou após a DIG.

A DHGNA tem sido predominantemente associada à obesidade, dislipidemia e resistência à insulina, embora a DHGNA possa ocorrer naqueles com IMC normal. No entanto, uma condição de resistência à insulina não foi relatada em pacientes com DC, nem no diagnóstico nem após a DIG.


Uma DIG altera certos fatores de risco cardiovascular em pacientes com DC, mas o efeito geral sobre o risco cardiovascular em indivíduos permanece incerto. Portanto, é importante explorar a relação entre DC e doenças cardiovasculares.

Em uma revisão sistemática com metanálise, foi relatado aumento do risco de acidente vascular cerebral em pacientes com DC , enquanto não foi encontrado um aumento estatisticamente significativo do risco de infarto do miocárdio e morte cardiovascular.

Além disso, um estudo realizado em uma população do Reino Unido não revelou um risco aumentado de morte cardiovascular em pacientes celíacos em comparação com a população em geral. No entanto, a taxa de mortalidade padronizada foi maior durante o período pós-diagnóstico (após 2 anos) do que durante o período peri-diagnóstico (dentro de 2 anos) em pacientes com DC.

Em conclusão, levando em consideração os piores perfis lipídicos, os aumentos em novos diagnósticos de DHGNA e o ganho de peso observado em pacientes com DC (em particular em pacientes com doença celíaca normal / com excesso de peso), os pacientes com doença celíaca precisam ser informados sobre esses riscos potenciais e aconselhados sobre nutrição personalizada após iniciar uma DIG.

Apesar de uma dieta isenta de glúten ser o único tratamento eficaz disponível para a doença celíaca - e apesar de desempenhar um papel fundamental na cicatrização das mucosas e na remissão de sintomas - o funcionamento do fígado, o peso corporal e os perfis nutricionais devem ser monitorados ao longo do tempo.


Texto original


Artigo de revisão:
Yanny B., Grewal JK, Vaswani VK (2021) Celiac Disease and the LiverEm: Weiss GA (eds) Diagnosis and Management of Gluten-Associated Disorders. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-030-56722-4_3