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domingo, 14 de junho de 2020

Distúrbios ginecológicos em mulheres com sensibilidade ao glúten / trigo não celíaca



Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati

Artigo original publicado: 07 de março de 2020

Maurizio Soresi, Salvatore Incandela, Pasquale Mansueto, Giuseppe Incandela, Francesco La Blasca, Francesca Fayer, Alberto D'Alcamo, Ada Maria Florena e Antonio Carroccio 

Digestive Diseases and Sciences (2020)

Resumo

A Sensibilidade ao Trigo Não Celíaca (STNC) apresenta frequentemente sintomas clínicos semelhantes à Síndrome do Intestino Irritável (SII), embora muitas manifestações extraintestinais também tenham sido atribuídas a ela. Até o momento, nenhum estudo avaliou a presença e frequência de sintomas ginecológicos na STNC.

Alvo
Avaliar a frequência de distúrbios ginecológicos em pacientes com STNC.

Pacientes e métodos
68 mulheres com STNC foram incluídas no estudo. Foi administrado um questionário investigando sintomas ginecológicos e cistite recorrente e as pacientes que relataram sintomas foram examinados por especialistas. Três grupos de controle foram selecionados: 52 pacientes com SII (sem relação com STNC), 56 pacientes com doença celíaca (DC) e 71 controles saudáveis.

Resultados
59% das pacientes com STNC apresentaram sintomas ginecológicos, uma frequência mais alta do que nos controles saudáveis, controles SII e controles DC.
 
Alterações do ciclo menstrual foram mais frequentes em pacientes com STNC do que em controles saudáveis ​​(26,5% vs 11,3); as pacientes com STNC sofreram vaginite recorrente (16%) e dispareunia (6%) significativamente mais frequentemente do que controles saudáveis. 

29% das pacientes com STNC relataram cistite recorrente, um achado maior do que nos grupos controle. 

Os exames microbiológicos foram negativos na maioria das pacientes com STNC e vaginite ou cistite recorrente. 

Durante o seguimento de 1 ano, 46% das pacientes com distúrbios menstruais e 36% com vaginite recorrente relataram resolução dos sintomas em uma dieta sem trigo.

Conclusões
Pacientes com STNC mostraram uma frequência significativamente maior de sintomas ginecológicos e cistite recorrente do que pacientes com SII.




quinta-feira, 11 de junho de 2020

Sensibilidade ao Glúten Não Celíaca em Brasileiros


Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati

Sensibilidade ao glúten não celíaca autorreferida no Brasil: 
tradução, adaptação cultural e validação 
do questionário italiano


Yanna A. Gadelha de Mattos, Renata Puppin Zandonadi, Lenora Gandolfi, Riccardo Pratesi, Eduardo Yoshio Nakano e Claudia B. Pratesi

Nutrientes . 2019 abr; 11 (4): 781.
Publicado on-line 2019 - 4 de abril
Doi:10.3390/nu11040781

Resumo

Este estudo teve como objetivo traduzir, adaptar culturalmente, validar e aplicar um questionário à população brasileira sensível ao glúten não celíaca (SGNC). Também buscamos estimar a prevalência de sintomas que afetam a SGNC brasileira. A versão em português do Brasil do questionário SGNC foi desenvolvida de acordo com as diretrizes internacionais revisadas. 

Quinhentos e quarenta e três (543) participantes responderam ao questionário sobre SGNC. Avaliamos a reprodutibilidade e validade do questionário que apresenta medidas válidas de reprodutibilidade. Este é o primeiro questionário validado autorrelatado específico para pacientes com SGNC em português do Brasil e a primeira caracterização nacional de SGNC autorrelatada em adultos brasileiros. 

A maioria dos entrevistados era do sexo feminino (92,3%), e os principais sintomas intestinais relatados foram inchaço e dor abdominal. Os sintomas extraintestinais mais frequentes foram ausência de bem-estar, cansaço e depressão. 

Esperamos que o presente estudo forneça uma imagem de indivíduos brasileiros com suspeita de SGNC, o que poderia ajudar os profissionais de saúde e instituições governamentais a desenvolver estratégias eficazes para melhorar o tratamento e o diagnóstico da SGNC no Brasil. 

Discussão

Os primeiros estudos sobre SGNC foram publicados no final da década de 1970 e no início da década de 1980. No entanto, desde 2010, o número de estudos sobre SGNC aumentou, assim como as vendas de alimentos sem glúten, e espera-se que ambos continuem crescendo nos próximos anos. A ausência de biomarcadores dificulta o diagnóstico de SGNC. Consequentemente, o diagnóstico de SGNC baseia-se na resposta clínica à ingestão e abstinência de glúten, seguida de desafio ao glúten após a exclusão de Doença Celíaca e Alergia ao Trigo. Portanto, estudos de sintomas e distúrbios associados são críticos para fornecer uma melhor abordagem ao diagnóstico. Até onde sabemos, nosso estudo é a primeira caracterização nacional de adultos brasileiros com SGNC. Validamos o primeiro questionário autoaplicável específico para pacientes com SGNC em português do Brasil, com base no questionário em Volta et al.(2014).

Em nosso estudo, a maioria dos participantes era do sexo feminino e os principais sintomas intestinais eram inchaço e dor abdominal; os sintomas extraintestinais mais frequentes observados foram ausência de bem-estar, cansaço e depressão. Nossos resultados não diferem muito dos encontrados em estudos semelhantes realizados em outros países.

Embora os termos "glúten" e "sensibilidade ao glúten" tenham se tornado comuns, os distúrbios associados à ingestão de glúten permanecem pouco compreendidos. Os pacientes que sofrem de SGNC são provavelmente um grupo heterogêneo, composto por vários subgrupos, cada um caracterizado por diferentes patogênese, história clínica e evolução clínica. O único evento comum a todos os indivíduos que sofrem de SGNC é o aparecimento de uma gama variada de sinais e sintomas adversos após a ingestão de glúten. Pesquisas futuras são necessárias para identificar biomarcadores confiáveis ​​para o diagnóstico de SGNC, o que permitiria uma melhor definição de cada subgrupo.












Baixe o questionário em PDF (46 questões):
https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6521116/bin/nutrients-11-00781-s001.pdf

Questionário sobre Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca

1. Idade (anos):
2. Gênero
( ) Masculino
( ) Feminino
3. Grau de Instrução:
( ) Ensino fundamental incompleto
( ) Ensino fundamental completo
( ) Ensino médio incompleto
( ) Ensino médio completo
( ) Ensino superior incompleto
( ) Ensino superior completo
( )Pós graduação incompleta
( )Pós graduação completa
4. Estado civil:
5. Renda mensal familiar:
6. Estado onde mora:

Questões 7–34: Sintomas e Sinais relativos à ingestão de glúten

O glúten é a combinação de dois grupos de proteínas: a gliadina e a glutenina, encontradas dentro de grãos de trigo, cevada e centeio e presente em alimentos como: pão, torrada, bolacha, biscoito, macarrão e outras massas, bolo, cerveja, pizza, salgadinhos, cachorro quente, hambúrguer, gérmen de trigo, triguilho, sêmola de trigo, cereais, barrinha de cereais.
7. Você sente cansaço físico associado à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
8. Você se sente indisposto ou com mal-estar quando ingere glúten?
( )Sim
( )Não
9. Você teve perda de peso associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
Quantos quilos perdeu?
___________ Kg (número)
10. Você tem aftas de repetição (feridas na boca) associadas à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
11. Você sente queimação subindo da barriga para o peito ou para a garganta (azia/pirose)
quando ingere glúten?
( ) Sim
( ) Não
12. Você sente o ácido subindo da barriga para o peito ou para a garganta (regurgitação ou refluxo
ácido) quando ingere glúten?
( ) Sim
( ) Não
13. Você tem dor de estômago associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
14. Você tem náuseas ou enjôos associados à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
15. Você tem aerofagia (sensação de engolir muito ar, eventualmente com arrotos) quando ingere
glúten?
( ) Sim
( ) Não
16. Você tem distensão abdominal (barriga inchada, estufada) associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
17. Você tem dor na barriga associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
18. Diarreia
( ) Sim
( ) Não
Número de evacuações por dia: ___________
19. Você tem constipação (intestino preso, fezes endurecidas e dificuldade para evacuar)
associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
20. Você tem alternância de hábito intestinal (intestino às vezes preso, às vezes solto) associada à
ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
21. Você tem ou já teve anemia associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
22. Você tem dor de cabeça associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
23. Você tem dormências associadas à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
24. Você tem sensação de cabeça oca ou raciocínio lento associado à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
25. Você tem dor nos músculos associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
26. Você tem dor nas juntas (articulações) associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
27. Você se sente desanimado ou deprimido quando ingere glúten?
( ) Sim
( ) Não
28. Você tem ansiedade associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
29. Você tem asma associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
30. Você tem rinite associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
31. Você tem rash cutâneo (lesões na pele como bolhas, manchas, caroços, vermelhidão etc)
associado à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
32. Você tem alergias na pele (dermatite) associada à ingestão de glúten?
( ) Sim
( ) Não
33. Você tem algum outro sintoma associado à ingestão de glúten?
Especifique:
34. Qual é a frequência dos sintomas em relação à ingestão do gluten:
( ) Sempre
( ) Frequentemente
( ) Ocasionalmente
35. Quanto tempo depois da ingestão de glúten os sintomas aparecem?
( ) Em 6 horas
( ) Entre 6 e 24 horas
( ) Após 24 horas
36. Os sintomas surgiram quanto tempo antes da hipersensibilidade ao gluten ser detectada?
( ) 1 mês
( ) 6 meses
( ) > 6 meses

Questões 37–42: Distúrbios Associados

37. Você tem algum transtorno alimentar, como por exemplo anorexia (aversão a se alimentar),
bulimia (compulsão a ingerir alimentos, seguida de culpa, com vômito ou exercício após), ortorexia (compulsão por ingerir somente alimentos “saudáveis”) ou outros?
( ) Sim
( ) Não
( ) Não sei
Qual?
_________________________________________________________________
38. Você tem Síndrome do Intestino Irritável (dor ou desconforto abdominal recorrente pelo
menos 3 dias/mês, nos últimos 3 meses, que melhora com a defecação e/ou se associa com
mudança na frequência das evacuações ou com mudança no formato (aparência) das fezes?
( ) sim
( ) não
( ) não sei
39. Você tem alguma outra intolerância alimentar (desconforto digestivo quando ingere corantes,
conservantes, lactose, chocolate, vinho...)?
( ) Sim
( ) Não
Qual?
_________________________________________________________________
40. Você tem alguma alergia?
( ) Sim
( ) Não
Qual?________________________________________________________________
41. Você tem alguma doença psiquiátrica (depressão, ansiedade, transtorno bipolar,
esquizofrenia...)?
( ) Sim
( ) Não
Qual?_________________________________________________________________
42. Você tem alguma doença autoimune (como lupus, artrite reumatoide, Sjogren...)?
( ) Sim
4
( ) Não
( ) não sei
Qual? _________________________________________________________________
43. Você tem história de Doença Celíaca na família?
( ) Sim
( ) Não
( ) Não sei
Em quem? ________________________________________________________________
44. Quem foi o primeiro a suspeitar que você tinha Sensibilidade ao glúten?
( ) Você mesmo
( ) Algum amigo
( ) O farmacêutico
( ) Um médico (clínico ou de familia)
( ) Um gastroenterogista
( ) Um homeopata
( ) Outro _______________________________________________________________
45. Você tem algum teste positivo para doença celíaca?
( ) sim
( ) não
( ) não sei
Se sim, qual?
46. Você tem algum teste positivo para alergia ao trigo?
( ) sim
( )não
( ) não sei
Se sim, qual?



terça-feira, 7 de junho de 2016

Algoritimo diagnóstico para diferenciar Sensibilidade ao Glúten Não-celíaca de Doença Celíaca

Anna Sapone
Daniel A. Leffler
Rupa Mukherjee

PRACTICAL GASTROENTEROLOGY • JUNE 2015
NUTRITION ISSUES IN GASTROENTEROLOGY, SERIES #142

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati
Tradução / Edição das imagens em português: Raquel Benati
Revisão: Claudia Longhini

Sensibilidade ao Glúten Não-Celíaca (SGNC) é um termo  usado para descrever os indivíduos que não são afetados pela Doença Celíaca (DC) ou Alergia ao Trigo (AT), mas que apresentam sintomas intestinais ou extra-intestinais relacionados à ingestão de glúten, com melhora dos sintomas após a retirada do glúten. A prevalência desta condição permanece desconhecida. Acredita-se que SGNC representa um grupo heterogêneo com diferentes subgrupos potencialmente caracterizados por patogenia, história clínica e evolução clínica diferentes. Também parece haver uma sobreposição entre SGNC e Síndrome do Intestino Irritável (SII). Deste modo, existe a necessidade de critérios de diagnóstico rigorosos para SGNC. A falta de biomarcadores validados continua a ser uma limitação significativa em estudos de investigação sobre SGNC.





As doenças mais comuns causadas por ingestão de trigo são: condições mediadas por autoimunidade, tais como doença celíaca (DC) e reações alérgicas mediada por IgE ou alergia ao trigo (AT). 1A doença celíaca afeta aproximadamente 1% da população em geral. É cada vez mais claro que, além da DC e AT, uma percentagem indefinida da população geral considera estar sofrendo de problemas devido ao trigo e / ou ingestão de glúten, baseando-se em grande parte no autodiagnóstico. Estes indivíduos geralmente consideram que têm sensibilidade ao glúten (SG). Há muito se suspeita de uma sobreposição entre SG e SII, o que requer critérios diagnósticos específicos Atualmente, a falta de biomarcadores é uma limitação importante, e ainda há muitas questões não resolvidas sobre sensibilidade do glúten. Neste artigo, vamos discutir os avanços atuais em nossa compreensão da sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC), incluindo definição, epidemiologia, características clínicas, critérios de diagnóstico e de gestão.

DESORDENS RELACIONADAS AO GLÚTEN

Publicações recentes mostram que há um grande interesse em definir desordens relacionadas ao glúten. Este termo abrange todas as condições relacionadas com a ingestão de alimentos contendo glúten. Dentro desta categoria está incluída a doença celíaca (DC), uma enteropatia crônica, imunomediada, do intestino delgado,  desencadeada pela exposição ao glúten da dieta, em indivíduos geneticamente predispostos, caracterizada por autoanticorpos específicos contra o tecido transglutaminase 2 (anti-TG2), endomísio (EMA) e / ou o péptido de gliadina desamidados (DGP). 2. Alergia  ao Trigo (AT) é outra desordem relacionada ao glúten, que é definida como uma reação imunológica adversa às proteínas do trigo, caracterizada pela produção de anticorpos específicos de IgE, que desempenham um papel importante na patogênese da doença. Os casos de alergia ao trigo não mediados por IgE  também existem e podem ser confundidos com sensibilidade ao glúten. Exemplos de AT incluem WDEIA, asma ocupacional (asma do padeiro), rinite e urticaria de contato.1.  Em 2011, um painel internacional de especialistas se reuniu  e chegaram a um Consenso sobre a definição de Sensibilidade ao Glúten Não-celíaca (SGNC). Eles definiram SGNC como uma "condição não-alérgica e não-autoimune, em que o consumo de glúten pode levar a sintomas semelhantes aos observados em DC ".3.





A declaração do Consenso é que na SGNC os sintomas são desencadeados por  ingestão de glúten com ausência de anticorpos celíacos específicos (tecido de transglutaminase [tTG], endomísio [EMA] e / ou peptídeo de gliadina desamidados [DGP]) e ausência de enteropatia, embora haja um aumento da densidade DC3 + linfócitos intraepiteliais que pode ser detectada. Pacientes com SGNC têm um status de antígeno leucocitário humano  (HLA) variável e presença variável de anticorpos antigliadina IgG (primeira geração).3. SGNC é ainda caracterizado por resolução de sintomas com a retirada do glúten da dieta e recaída dos sintomas com a volta da exposição ao glúten. Os sintomas clínicos de SGNC podem coincidir com os de DC e AT. Como nosso conhecimento de SGNC continua a aumentar, esta definição pode sofrer modificações no futuro.

Epidemiologia e História Natural da SGNC 

Desconhece-se atualmente a prevalência de SGNC na população em geral, em grande parte porque os pacientes muitas vezes se autodiagnosticam e colocam-se em uma dieta isenta de glúten (DIG) sem consulta médica. Observações indicam que a prevalência varia de 0,5% a 6%, porém baseado em pesquisas com modelos de estudo heterogêneos e definições inconsistentes da doença. Em um grande estudo de 5.896 pacientes avaliados na Universidade de Maryland entre 2004-2010, 347 pacientes preencheram critérios diagnósticos de SGNC que conduzem a uma prevalência de cerca de 6%.1.4. Além disso, os dados do National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) para 2009- 2010 relataram uma possível prevalência de SGNC de 0,55% na população geral dos EUA.5.  Dado o relato de sobreposição entre SII e SGNC, estudos epidemiológicos em SII podem lançar alguma luz, ainda que indiretamente, na frequência de SGNC. Em uma série altamente selecionada de adultos com SII, a frequência de SGNC foi de 28% com base em um estudo duplo-cego, controlado por placebo.6. Além disso, num grande estudo de Caroccio et ai, 276 de 920 (30%) de indivíduos com sintomas típicos de SII com base em critérios de Roma II, reportaram sensibilidade ao trigo ou hipersensibilidade a múltiplos alimentos .7.  Estima-se que a prevalência de SGNC na população geral é provavelmente maior do que a de DC (1%). A prevalência de SGNC em crianças ainda é desconhecida.

Embora fatores de risco para SGNC ainda não tenham sido identificados, esta desordem parece ser mais comum em mulheres, com uma relação homem-mulher de cerca de 1:3, e em jovens e adultos. Devido à falta de dados longitudinais e  estudos prospectivos sobre a história natural da SGNC, não está claro se SGNC predispõe para quaisquer complicações a longo prazo. Na literatura atual, não há relatos de grandes complicações, tais como linfoma intestinal, ou malignidade gastrointestinal associada a doença autoimune, tal como observado em DC.

Patogênese

A fisiopatologia da SG permanece largamente indeterminada. Um estudo por Sapone et al. demonstrou que indivíduos com SG tem permeabilidade da mucosa intestinal normal, comparada a pacientes com DC, níveis intactos de expressão proteica que compõe as junções epiteliais intestinais e uma significativa redução nos marcadores de células T-reguladoras em comparação aos controles e pacientes DC.4 Além disso, pacientes SG tem um aumento nas classes α e β dos linfócitos intraepiteliais sem aumento da expressão relacionada a imunidade adaptativa genética da mucosa intestinal. Esses achados sugerem um papel importante do sistema imune inato na patogênese da SG sem a resposta imune adaptativa.8 diferentemente da mucosa duodenal de pacientes DC exposta a gliadina in vitro, mucosa de pacientes SG não expressam marcadores de inflamação. Novas técnicas como o exame da ativação de basófilos em resposta a estimulação ao glúten ou ao trigo podem sugerir mecanismos alternativos de patogenia para a SG.

Características Clínicas da SGNC 

Os sintomas clínicos da SGNC são evidenciados logo após a exposição ao glúten, melhoram ou desaparecem com a retirada do glúten e reaparecem após o desafio de glúten, geralmente dentro de horas ou dias. Embora esta descoberta possa ser atribuída a um efeito placebo/nocebo, o estudo de 2011 por Biesiekierski et ai. argumenta a favor da existência de uma verdadeiro transtorno SGNC. Em um estudo duplo-cego randomizado, controlado por placebo, os autores descobriram que sintomas típicos de SII na SGNC foram significativamente mais elevados no grupo tratado com glúten (68%) do que nos indivíduos tratados com placebo (40%). 6. Estudos sugerem que a apresentação clínica da SGNC é parecida com SII, caracterizada por dor abdominal, distensão abdominal, irregularidade intestinal (diarréia e / ou prisão de ventre) e manifestações sistêmicas incluindo "mente nebulosa", dor de cabeça, dor nas articulações e músculos, fadiga, depressão, dormência nas pernas ou braços, dermatite (eczema ou erupção cutânea) e anemia.1,4,9. Em um estudo de pacientes com SII, as duas manifestações extra-intestinal mais comum no desafio de glúten foram "mente nebulosa"(42%) e fadiga (36%). 9. Atualmente, faltam dados sobre a prevalência e tipos de sintomas intestinais e extra-intestinais em doentes com SGNC. Diferentemente da DC, os pacientes com SGNC não têm aumento da prevalência de doenças autoimunes Num grupo de 78 pacientes SGNC, nenhum tinha diabetes mellitus tipo I e apenas um paciente (1,3%) teve tiroidite autoimune. Isto é comparado com uma prevalência de 5% e 19% para estas co-morbidades autoimunes, respectivamente, num estudo de 80 pacientes com DC.9  Com relação a comorbidades psiquiátricas, um estudo recente não encontrou nenhuma diferença significativa entre pacientes com DC e SGNC em termos de ansiedade, depressão e índices de qualidade de vida.10. No geral, o papel da SGNC em condições neuropsiquiátricas (isto é, esquizofrenia, transtornos do espectro autista) permanece um tema controverso e muito debatido. Contudo, pacientes SGNC relataram mais sintomas  abdominais e extra abdominais após a exposição ao glúten que celíacos.

Em um recente estudo retrospectivo de pacientes com sintomas parecidos com SII que foram submetidos a um desafio duplo-cego com trigo, controlado por placebo, foram identificados cerca de 25% dos pacientes com SGNC. O estudo mostrou que uma história de alergia alimentar na infância, doença atópica coexistente, múltiplas intolerâncias alimentares, perda de peso e anemia foram mais comuns no grupo SGNC em comparação com os controles SII .Por isso, pode ser útil para os médicos obter informações sobre essas condições em pacientes com sintomas típicos de SII para avaliar a utilidade potencial de uma experimentação de restrição ao glúten. 

SGNC e SII

A relação entre o SGNC e SII é complexa, e os sintomas típicos da SII são comuns em pacientes com SGNC. Vasquez et al. mostrou que a ingestão de glúten pode provocar sintomas gastrointestinais em pacientes não-celíacos, especificamente, pacientes com SII diarreia predominante (SII-D).11. Os pacientes com SII-D, particularmente aqueles com genótipos HLADQ2 e/ou DQ8, tiveram frequentemente mais movimentos intestinais por dia em uma dieta contendo glúten, e esta dieta foi associada a maior permeabilidade do intestino delgado. Esta descoberta deu algumas dicas sobre o papel da Dieta Isenta de Glúten na melhoria dos sintomas gastrointestinais em pacientes SII. No entanto, o papel exato na retirada do glúten para mitigar sintomas requer uma investigação mais aprofundada. Além do glúten, demonstrou-se que o trigo e derivados de trigo contêm componentes como "amylasetrypsin inhibitors" (ATIs), que podem desencadear sintomas em pacientes com SII. Outro gatilho potencial para sintomas são os FODMAPs que incluem frutanos, galactanos, frutose, lactose e polióis encontradas no trigo, certas frutas, legumes e leite, bem como seus derivados.3.

 Há um debate em curso sobre a contribuição de cada um desses componentes da dieta para sintomas experimentados por pacientes com SGNC e SII. Em um estudo controlado por placebo em 37 indivíduos com autorrelatos de SGNC/SII, foram aleatoriamente designados para uma dieta reduzida em FODMAPs e, em seguida, desafiados com glúten ou proteína do soro de leite.12. Todos os 37 pacientes apresentaram melhora nos sintomas gastrointestinais na dieta reduzida em FODMAPs, com piora significativa de seus sintomas quando desafiados com glúten ou proteína de soro de leite. É importante notar que os sintomas experimentados pelos pacientes SGNC não podem ser atribuídos exclusivamente à FODMAPs, já que muitas vezes os sintomas desapareceram com uma dieta isenta de glúten sozinha,  enquanto ainda consumiam FODMAPs de outras fontes, como leguminosas. No entanto, este achado levanta a possibilidade de que alguns casos de SII podem, de fato, ser em grande parte devido a FODMAPs e não devem ser classificados como tendo SGNC. Portanto, há uma grande campanha para identificar e validar os biomarcadores específicos que desempenharão um papel importante na definição da SGNC como uma condição clínica e esclarecer a sua prevalência em  grupos de risco e a população em geral.
  • Avaliação Laboratorial em SGNC 
Nenhum biomarcador específico foi identificado para SGNC. No entanto, as tendências na avaliação laboratorial, incluindo sorologia, genotipagem HLA e histologia foram observados em pacientes que preencheram os critérios diagnósticos para SGNC.
  • Sorologia para DC
Volta et al. investigou os padrões de testes sorológicos para DC em 78 pacientes com SGNC não tratados. Eles descobriram que 56,4% dos pacientes tiveram títulos elevados da "primeira geração" anticorpo antigliadina  IgG (AGA) em comparação com pacientes com DC não tratada. A prevalência de AGA-IgG em SGNC foi menor do que em pacientes com DC (81,2%), mas maior do que em pacientes com doenças do tecido conectivo (9%), doença hepática ou autoimune (21,5%), e em doadores de sangue saudáveis ​​(2-8%). No entanto, a prevalência de AGA-IgA em SGNC foi baixa em 7,7% .9. Os três anticorpos chaves para a DC, IgA-tTG, IgG-DGP e IgAEMA, foram negativos em todos os pacientes com SGNC, exceto para um único título baixo IgG-DGP.
  • Genotipagem HLA
O HLA-DQ2 e HLA-DQ8 haplótipos são encontrados em cerca de 50% dos pacientes SGNC em comparação com 95% em pacientes com DC e 30% na população em geral.1
  • Achados histológicos
Sapone et ai. comparou achados de biópsia de intestino delgado de pacientes com SGNC, DC e controles. Pacientes com SGNC tinham mucosa normal a ligeiramente inflamada, categorizadas como Marsh 0 ou 1, enquanto que atrofia das vilosidades parcial ou total  (Marsh 3) com hiperplasia das criptas foi vista em todos os pacientes celíacos.4. Além disso, os pacientes com DC tinham aumento de linfócitos intraepiteliais (IELs) comparados com os controles. Verificou-se que o nível de DC3 + IELs em pacientes SGNC é o mesmo observado em pacientes celíacos e controles, no contexto da arquitetura das vilosidades normais. Outros achados histológicos que podem ser específicos para pacientes SGNC incluem um nível aumentado de basófilos ativos circulantes e o aumento de eosinófilos infiltrados  no duodeno e / ou íleo e colon.7,13,14.

Abordagem diagnóstica para SGNC 

Como clínicos, é importante suspeitar de SGNC em um paciente que se apresenta com sintomas típicos de SII, como dor abdominal, distensão abdominal, diarreia e constipação bem como "mente nebulosa", fadiga, dores de cabeça, articulações ou dores musculares que parecem melhorar em uma dieta isenta de glúten. Como esses sintomas podem também ser vistos na DC e, em um menor grau, na alergia ao trigo, estas condições precisam ser excluídas, a fim de se fazer um diagnóstico de SGNC. Kabbani et ai. propuseram um algoritmo de diagnóstico para ajudar a diferenciar SGNC de DC e AT .15. O primeiro passo na avaliação de um sujeito com os sintomas que respondem a uma dieta isenta de glúten é verificar a presença de testes sorológicos celíacos (IgA-tTG e IgA / IgG DGP) numa dieta contendo glúten. Se os testes sorológicos celíacos são negativos e não há deficiência de IgA, um diagnóstico de DC é improvável, fazendo da SGNC um diagnóstico mais provável. Além disso, a falta de sintomas de má absorção (perda de peso, diarreia, deficiências de nutrientes, anemia ferropriva) ausência de fatores de risco da DC (história familiar de DC, história pessoal de doença autoimune) acham-se como suporte a mais a um diagnóstico de SGNC. Alergia ao Trigo também deve ser avaliada com os ensaios baseados em IgE. Os autores descobriram que a incorporação de uma história pessoal de doença autoimune, história familiar de doença celíaca, deficiências de absorção de nutrientes podem ajudar no modelo de diagnóstico, particularmente em indivíduos com sorologia negativa. Indivíduos com sorologia negativa em um dieta com glúten, sem fatores de risco e sem sintomas de enteropatia são altamente propensos a ter SGNC e  não é necessário fazer mais testes. Por outro lado, num indíviduo com sorologia negativa, mas com sintomas típicos de má absorção ou fatores de risco para DC, é indicada uma biópsia do intestino delgado. Em um indivíduo com sorologia fronteiriça, em uma dieta com glúten, o próximo passo é tipagem HLA para determinar se uma biópsia é indicada. Um indivíduo com sorologia fronteiriça (borderline) e tipagem HLA negativa, o sujeito provavelmente tem SGNC. Tipagem HLA também é útil para avaliar indivíduos suspeitos de SGNC ou DC que iniciam uma dieta isenta de glúten sem uma verificação prévia dos testes sorológicos celíacos com uma dieta contendo glúten. Devido ao elevado valor preditivo negativo do ensaio genético, o diagnóstico de DC pode ser efetivamente excluído com um resultado negativo. E se o teste de HLA é negativo em um indivíduo sem sorologia em um dieta sem glúten, cujos sintomas são responsivos a uma DIG, o sujeito tem probabilidade de ter SGNC e um desafio de glúten seria desnecessário. No entanto, se o teste HLA é positivo, apesar da resolução dos sintomas em uma DIG, é recomendado que o indivíduo se submeta a um desafio de glúten, seguido de avaliação de testes sorológicos celíacos. Um desafio de glúten é a reintrodução monitorada de alimentos contendo glúten ,por um período de (ou maior que) duas semanas. A carga de glúten diária recomendada é a equivalente a 1-2 fatias de pão de trigo. Uma vez que DC e AT foram excluídas clinicamente e por avaliação laboratorial, um paciente que é suspeito de ter SGNC deve fazer a retirada do glúten da dieta durante pelo menos entre 4 a 8 semanas. A retirada do glúten geralmente está associada a uma melhoria significativa dos sintomas dentro de dias. Após o período de retirada do glúten, uma provocação com glúten deve ser realizada para confirmação do diagnóstico. O efeito placebo a partir de retirada do glúten não pode ser ignorado por completo, sendo que o método ideal para o diagnóstico da SGNC seria um teste duplo-cego, controlado por placebo. No entanto, é improvável que isso seja viável na maioria das práticas clínicas.

(...)

Pacientes frequentemente consideram o desafio de glúten oneroso e, em alguns casos, intolerável devido a efeitos colaterais significativos na exposição ao glúten. Gestão do tratamento da SGNC de sucesso é baseado numa abordagem multidisciplinar envolvendo o principal cuidado médico: gastroenterologista e nutricionista. Deve ser enfatizado que o tratamento dietético só pode ser implementado após estabelecido um diagnóstico adequado. Pacientes com SGNC são aconselhados a seguir uma dieta com teor de glúten suficientemente reduzido para gerir e atenuar os sintomas. Com base na gravidade dos sintomas, alguns pacientes podem escolher seguir um dieta livre de glúten indefinidamente. Como produtos alimentares sem glúten muitas vezes não são fortificados com vitaminas e minerais, é importante avaliar um paciente com SGNC para deficiências de vitaminas e minerais e gerenciá-las de forma adequada. Na SGNC os pacientes são normalmente aconselhados a tomar um multivitamínico. Se um paciente tem sintomas persistentes apesar de uma baixa ingestão de glúten ou dieta isenta de glúten, deve haver consideração para outras condições associadas, tais como intolerância à lactose e / ou má absorção de frutose. Estas condições podem ser avaliadas com testes de respiração e / ou um teste empírico de uma dieta baixa em FODMAP. É também importante considerar e excluir outras condições, tais como SII e super crescimento bacteriano intestinal (SIBO) que pode contribuir para os sintomas em curso. Uma vez que não há nenhum biomarcador para SGNC para monitorar o status de um paciente, os médicos contam  com  a resolução dos sintomas. Com base em nossa compreensão atual da SGNC, não há nenhum dano intestinal ou extra-intestinal com a exposição ao glúten. Uma vez que ainda não se sabe se SGNC é uma condição transitória ou permanente, é fortemente recomendado por especialistas, como Fasano et ai. que os pacientes sejam submetidos a reavaliação periódica com reintrodução do glúten (por exemplo, a cada 6-12 meses), particularmente na população pediátrica, num esforço para liberalizar a dieta onde for possível.3 Na prática clínica, no entanto, muitos pacientes com controle dos sintomas em uma baixa ingestão de glúten ou dieta isenta de glúten são avessos a exposição intencional de glúten. Atualmente, não existem orientações sobre a melhor forma para monitorar pacientes com SGNC.


Perguntas não respondidas e Pesquisa Futura 

O espectro clínico das desordens relacionadas ao glúten parece ser mais heterogéneo do que anteriormente apreciado. No entanto, fica evidenciado que está faltando investigação nesta área . Embora SGNC seja atualmente definida por sintomas relacionados ao glúten na ausência de DC, isto não exclui a possibilidade de que o glúten possa ser "tóxico" e tenha sequelas clínicas de longo prazo. Um número de perguntas não respondidas permanecem sobre SGNC, o  que ditará pesquisas futuras. Qual é a prevalência de SGNC tanto na população em geral e no em grupos de risco? O que é / são os seus mecanismos patogênicos? É condição permanente ou transitória, e  o limiar de sensibilidade é o mesmo ou diferente para os sujeitos e pode mudar ao longo do tempo no mesmo indivíduo? Pesquisa sobre SGNC sugere que ela pode ser uma condição heterogénea composta por vários subgrupos.

 Há necessidade de:
• estudos prospectivos, multicêntricos sobre a história natural desta condição.
• biomarcadores para diagnosticar corretamente e melhor definir os diferentes subgrupos SGNC.
• pesquisa sobre o potencial papel patogênico dos outros componentes de trigo, além do glúten e ATI, ou seja, FODMAPs na SGNC.

É também certo que a definição de SGNC vai sofrer modificação adicional com a acumulação de mais dados. No entanto, é importante ter um definição padronizada para SGNC para auxiliar no diagnóstico e para melhorar o desenho do estudo para futuras pesquisas.

Artigo Original Completo

References: 
1. Sapone A, Bai JC, Ciacci C, et al: Spectrum of gluten-related disorders: consensus on new nomenclature and classification. BMC Med 2012;10:13. 
2. Ludvigsson JF, Leffler DA, Bai JC, et al: The Oslo definitions for coeliac disease and related terms. Gut 2013;62:43-52. 
3. Catassi C, Bai JC, Bonaz B, et al: Non-celiac gluten sensitivity: The new frontier of gluten related disorders. Nutrients 2013;5:3839–3853. 
4. Sapone A, Lammers KM, Mazzarella G et al: Differential Mucosal IL-17 Expression in Two Gliadin-Induced Disorders: Gluten Sensitivity and the Autoimmune Enteropathy Celiac Disease. Int Arch Allergy Immunol 2009;152:75-80. 
5. Digiacomo DV, Tennyson CA, Green PH et al: Prevalence of gluten-free diet adherence among individuals without celiac disease in the USA: results from the Continuous National Health and Nutrition Examination Survey 2009-2010. Scand J Gastroenterol 2013;48:921-925. 
6. Biesiekierski JR, Newnham ED, Irving PM et al: Gluten causes gastrointestinal symptoms in subjects without celiac disease: A double-blind randomized placebo-controlled trial. Am J Gastroenterol 2011;106:508-514. 
7. Carroccio A, Mansueto P, Iacono G et al: Non-celiac wheat sensitivity diagnosed by double-blind placebo-controlled challenge: Exploring a new clinical entity. Am J Gastroenterol 2012;107:1898-1906. 
8. Mansueto P, Seidita A, D’Alcamo A et al: Non-celiac gluten sensitivity: Literature Review. J Am Coll Nutr 2014;33:39-54. 
9. Volta U, Tovoli F, Cicola R et al: Serological tests in gluten sensitivity (nonceliac gluten intolerance). J Clin Gastroenterol 2012;46:680-685. 
10. Garud S, Leffler D, Dennis M et al: Interaction between psychiatric and autoimmune disorders in coeliac disease patients in the Northeastern United States. Aliment Pharmacol Ther 2009;29(8):898-905. 
11. Vazquez-Roque MI, Camilleri M, Smyrk T et al: A controlled trial of gluten-free diet in patients with irritable bowel syndrome-diarrhea: effects on bowel frequency and intestinal function. Gastroenterology 2013;144:903-911. 
12. Biesiekierski JR, Peters SL, Newnham ED, et al: No effects of gluten in patients with self-reported non-celiac gluten sensitivity after dietary reduction of fermentable, poorly absorbed, shortchain carbohydrates. Gastroenterology 2013;145:320-8. 
13. Carroccio A, Brusca I, Mansueto P et al: A cytologic assay for diagnosis of food hypersensitivity in patients with irritable bowel syndrome. Clin Gastroenterol Hepatol 2010;8:254-260. 
14. Holmes G. Non coeliac gluten sensitivity. Gastroenterol Hepatol Bed Bench 2013;6:115-119. 
15. Kabbani TA, Vanga RR, Leffler DA et al: Celiac disease or nonceliac gluten sensitivity? An approach to clinical differential diagnosis. Am J Gastroenterol 2014;109(5):741-6.

domingo, 16 de novembro de 2014

5 MANEIRAS SIMPLES PARA AJUDAR SUA FLORA INTESTINAL


16 de novembro de 2014
Sebastien Noel

tradução: Google / adaptação: Raquel Benati


Um ser humano saudável precisa de um intestino saudável. Pesquisa do Google  para praticamente qualquer doença "+ microbioma" ou "+ flora intestinal" e você vai chegar a algo. Mas como fazer para melhorar a saúde do intestino ?

Um monte de conselhos para saúde do intestino gira em torno de comida - o que comer e o que evitar. Mas a saúde do intestino é mais do que a dieta; é afetada pelo estilo de vida também . Então, aqui estão cinco coisas simples que você pode fazer para manter sua flora intestinal feliz - e apenas dois deles têm a ver com a comida!

1. RIR DE ALGUMA COISA 

Há uma razão pela qual os pesquisadores falam sobre o "segundo cérebro" como uma parte crucial do seu sistema nervoso: em torno de 90% do neurotransmissor serotonina, por exemplo, está localizado no intestino. A saúde do cérebro e saúde do intestino estão conectadas. Estresse ou ansiedade em seu cérebro vai afetar o seu intestino: há uma razão para que a Síndrome do Intestino Irritável seja tão fortemente associada  com depressão e transtornos de humor!

O estresse desempenha um papel em quase todo tipo de problema com a flora intestinal: desequilibrio, supercrescimento bacteriano, os tipos errados de bactérias, a falta de diversidade, ou qualquer outra coisa que possa estar incomodando você. E isso implica que a atividade de redução do estresse, provavelmente, ajuda quase todo o intestino.

Uma maneira prática de fazer isso acontecer é encontrar uma maneira de RIR- e, sim, há na verdade, um estudo sobre isto. Os pesquisadores estudaram os controles saudáveis ​​e pacientes com dermatite atópica, uma doença tipicamente acompanhada por problemas da flora intestinal. Os pacientes tiveram notadamente diferenças na flora intestinal em relação à dos controles saudáveis. Depois de assistir a filmes engraçados todos os dias por uma semana, a flora intestinal desses pacientes com dermatite estava  mais saudável.

Finalmente encontramos uma justificativa para assistir a tantos vídeos de adoráveis ​​gatinhos / cachorros  / pandas vermelhos /  pinguins, como seu coração deseja: é para a sua saúde !


2. CAMINHAR

O exercício é um modulador poderoso da flora intestinal. Só para citar alguns benefícios, ele pode aumentar a diversidade de espécies e ajudar o  intestino nas mudanças da flora associadas à obesidade .

Se você está tendo problemas digestivos sérios, você pode não estar sentindo-se bem para fazer um grande treino ou qualquer coisa particularmente extenuante - sem problemas! Basta sair para meia hora de caminhada, que já será  suficiente para começar a ver alguns benefícios.

Exercício mais intenso também é bom; apenas certifique-se que você está tendo o tempo de recuperação suficiente. Treino excessivo significa inflamação crônica, que não vai fazer a você ou seu intestino quaisquer favores.


3. DORMIR

Você pode esconder o seu cansaço com café, mas o seu corpo não ficará menos cansado. A privação do sono realmente mexe com a flora intestinal, especialmente se está acompanhada com uma dieta ruim . Como se você já não tivesse razões suficientes para dormir mais!

Algumas dicas rápidas para obter um sono de boa qualidade:

Isso não vai acontecer por conta própria. Você tem que fazer acontecer. Defina uma hora de dormir e espalhe lembretes onde você irá vê-los.

Durma em um quarto escuro e fresco, sem luz externa.

Evite telas (computador ou celular) por uma hora antes de deitar.


4. COMER ALIMENTOS PROBIÓTICOS

As três primeiras dicas eram aplicáveis ​​a qualquer pessoa, mas com os probióticos são um pouco diferentes. Eles podem  ser bons ou não para você.

Alimentos probióticos são alimentos que contêm bactérias vivas, as mesmas bactérias que você precisa em seu intestino. Obtenha as bactérias através da fermentação - por exemplo, transformando repolho em chucrute. Outros alimentos probióticos incluem iogurte e kefir.  Tenho fermentado alimentos para os benefícios de probióticos desde que descobri como fazê-lo, e quase todas as culturas alimentares têm algum tipo de prato fermentado tradicional.

Pense em alimentos probióticos como uma espécie de transplante bacteriano. Isto pode ser bom, ou ele pode ser um problema:
Se você não tem problemas de supercrescimento bacteriano, comer probióticos é uma das melhores maneiras de manter a saúde do seu intestino.

Mas se você tem um crescimento excessivo de bactérias, comer probióticos pode sair pela culatra, porque ele aumenta o crescimento excessivo que já está causando problemas.

O tipo mais comum de supercrescimento bacteriano é SIBO (Small Intestinal Bacterial Overgrowth). SIBO é notoriamente difícil de diagnosticar, mesmo com testes de laboratório, mas, em geral, aqui está uma maneira rápida de verificar se os probióticos estão ajudando ou prejudicando você: tente ficar uma semana sem alimentos probióticos e depois coma uma pequena porção de um alimento probiótico. Veja como você se sente. Se você se sentir bem, ou se não houver nenhuma reação imediata, provavelmente você está bem com eles. Mas se você se sentir inchado ou seus sintomas piorarem, tire-os da dieta!


5. AJUSTAR A INGESTÃO DE FIBRAS

Vegetais ricos em fibras podem ou não estar fazendo bem ao seu intestino.  "Coma mais fibras"  não é uma panacéia digestiva! Fibra basicamente fornece o alimento para a flora intestinal, mas problemas com a flora intestinal podem causar intolerância a diferentes tipos de fibras. Há também o problema do crescimento excessivo para se pensar: se você já tem muitas bactérias no intestino, você realmente quer continuar a alimentá-las com um banquete?

Aqui estão algumas dicas para encontrar o nível de fibra que funciona para você:

Em geral, comer lotes de alimentos ricos em fibras é bom para o intestino. Mas se você é novo numa dieta Paleo, aumente o seu consumo de vegetais lentamente, antes de começar a comer a metade de uma cabeça de repolho de uma vez só!

Se você está tendo distensão abdominal, constipação (por si só ou alternando com diarreia), gases e problemas semelhantes depois de comer legumes, você pode estar tendo problemas com a quantidade ou o tipo errado de fibra. Considere tentar um protocolo de eliminação de um tipo de fibras chamado FODMAPs .

Sim, é verdade: às vezes, a redução de fibra, ou pelo menos alguns tipos de fibra, pode ser boa para o seu intestino.

RESUMINDO:
Intestino saudável  é mais do que comida. Muitas pessoas são sugadas para dentro à procura de mais e mais intolerâncias, quando na verdade elas só não estão dormindo o suficiente, ou estão cronicamente estressadas.

Para a melhorar a saúde intestinal, é preciso realmente cuidar  da obtenção de seus alimentos e manter fatores não-alimentares sob controle. Talvez seja a hora de parar de se preocupar com todos os vegetais que passam por seus lábios, fazer uma pausa para rir de algo bobo, e ir para a cama cedo - sua flora intestinal agradece!

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Melhor exame de sangue para diagnosticar sensibilidade ao glúten não-celíaca

Drª Vikk Petersen - 27/10/2014

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


Nova pesquisa discute um teste para sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC)


A literatura médica continua a afirmar que não há exame de sangue para investigação diagnóstica da sensibilidade ao glúten não-celíaca. Embora possa não ser o ideal, alguns pesquisadores oferecem uma opinião diferente, e eu queria compartilhar seus resultados com você. 

Em um estudo de 2012, publicado em "Avaliações clínicas em Alergia e Imunologia" intitulado "Testes sorológicos realizados em sensibilidade ao glúten", os autores se propuseram a estabelecer um padrão nos testes de sangue que seja útil no diagnóstico de sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC) em comparação com a doença celíaca. Eles envolveram na pesquisa 78 pacientes com sensibilidade ao glúten não-celíaca e 80 pacientes com doença celíaca, e testaram retrospectivamente o seu sangue em quatro testes-padrão, dos quais três são classicamente usados ​​para a doença celíaca, e um que é mais comumente pensado como exato para a sensibilidade ao glúten. 

Para aqueles de vocês que gostam das especificidades, os testes utilizados foram: 

1) DGP-AGA IgG (anticorpos contra peptídeos gliadina desamidada)***
2) tTGA IgA (anticorpos transglutaminase)
3) EMA IgA (anticorpos antiendomísio)
4) AGA IgG / IgA (anticorpos antigliadina)

E o vencedor é ...

Aqui estão os resultados: O teste Antigliadina (AGA) IgG  foi o vencedor na detecção de pacientes com sensibilidade ao glúten não-celíaca: 56,4% foram positivos. O teste não exclui a presença de doença celíaca no entanto. 81,2% dos pacientes com doença celíaca, também foram positivos. O Antigliadina (AGA) IgA rendeu um resultado muito diferente, embora não inesperado. O teste foi elevado em apenas 7% de pacientes sensíveis ao glúten, enquanto 75% dos pacientes com doença celíaca foram positivos.

Por que é que não é uma surpresa? 

IgA é encontrado nas membranas mucosas do corpo que estão exposta a substâncias estranhas externas: nariz, pulmões, trato gastrointestinal, orelhas, olhos, etc.  Como a doença celíaca afeta principalmente a mucosa do trato gastrointestinal, é esperado que a IgA parte do sistema imunológico possa ser mais afetada. Mas quando você compara o resultado dos "clássicos" testes celíacos dos pacientes sensíveis ao glúten, eles foram bastante definitivos: somente um paciente sensível ao glúten foi positivo para  gliadina desamidada (DGP-AGA) e nenhum  paciente sensível ao glúten demonstrou positividade para transglutaminase (tTGA) ou antiendomísio (EmA). Mas os pacientes celíacos mostraram uma taxa de positividade de 88,7%, 98,7% e 95% respectivamente para esses três testes. 

O que sabemos disso?

Um par de coisas: 
1) Certifique-se de que quando você for testado, receba um painel completo de testes, incluindo todos os mencionados acima. Além disso, as versões de IgA e IgG devem ser incluídas, especialmente para o teste antigliadina (AGA). 

2) Ao interpretar os testes, lembre-se que você está fazendo mais do que apenas a exclusão de doença celíaca. 

Para muitos médicos esse é seu objetivo: investigar doença celíaca. Apesar do nível de conhecimento de investigações internacionais, muitos médicos ainda não aceitam a existência da sensibilidade ao glúten não-celíaca. Embora nenhum teste seja perfeito, se você está suspeitando de doença celíaca e você tem resultado positivo para o painel clássico de celíaca (tTGA, EmA e DGP-AGA), então você já deve ter identificado a sua condição. Se você sabe que o glúten te faz mal e apresenta teste positivo para antigliadina (AGA), especialmente a versão IgG e apresenta resultado negativo para o resto do painel celíaco, você pode se sentir mais seguro de um diagnóstico de sensibilidade ao glúten não-celíaca. 

Alguns outros sinais de sensibilidade ao glúten não-celíaca (SGNC), de acordo com os pesquisadores, caracterizam a presença um quadro clínico variado, o que significa muitos sintomas que ocorrem ao mesmo tempo. E, embora muitos destes sintomas sejam semelhantes a uma outra doença, a Síndrome do Intestino Irritável (SII), os autores advertem sobre isso, considerando a sensibilidade ao glúten como um subtipo de SII. Os sintomas extraintestinais tão comuns na sensibilidade ao glúten não-celíaca não são tipicamente vistos nos pacientes que sofrem com a SII, fazendo a distinção clara entre as duas (SGNC e SII), na opinião desses pesquisadores. 

As queixas mais comuns associados com sensibilidade ao glúten não-celíaca incluem:

• dor abdominal, distensão abdominal, diarreia, prisão de ventre
• lentidão mental, cansaço
• eczema / erupção cutânea
• dor de cabeça
• dores articulares / musculares
• dormência das pernas / braços
• depressão
• anemia
• em conjunto com um revestimento normal ou ligeiramente anormal do intestino delgado

Em conclusão, quando você está construindo um caso de sensibilidade ao glúten não-celíaca, você precisa olhar para vários fatores: o teste de sangue, sintomas e reações ao comer e eliminar o glúten .


Novas informações sobre Genes celíacos

No passado, a regra de ouro era que "você nunca poderia ter doença celíaca se você não apresentasse os genes para isso". Isso continua a ser verdade, mas pesquisadores citaram resultados (2010), onde demonstraram que um total de 40-50% dos pacientes sensíveis ao glúten não-celíacos possuem o mesmo perfil genético daqueles com doença celíaca HLA-DQ2 ou DQ8. E com isso vemos outro "padrão ouro" se desmanchar em pó. Isso abre a porta para uma nova interpretação do teste genético que os médicos devem estar cientes. Em vez de ser demasiado rápido dizer a um paciente que, embora possa ter os genes para a doença celíaca, considerando que seus exames de sangue são negativos para a doença, que está tudo bem em continuar comendo glúten; nós agora compreendemos que tais genes podem estar presentes em  casos de sensibilidade ao glúten não-celíaca. E, como sabemos agora, os exames de sangue celíacos clássicos  são negativos em tal situação. Então comer glúten não é exatamente a conduta a se recomendar a esses pacientes.

Eu acredito que nós veremos uma grande variedade de genes responsáveis ​​por essas doenças no futuro. Mas saber que quase metade das pessoas com sensibilidade ao glúten não-celíaca demonstram o mesmo perfil genético de alguém com doença celíaca é informação importante quando um paciente e seu médico estão tentando fazer um diagnóstico preciso. Com base neste perfil genético comum, é surpreendente saber que a sensibilidade ao glúten pode ser encontrada em membros de famílias com doença celíaca. Neste estudo, quase 13% dos pacientes sensíveis ao glúten eram parentes de primeiro grau de pacientes celíacos. 

Qual é o futuro?

Como nutricionista clínica, tenho falado da doença celíaca e alegando a existência de sensibilidade ao glúten há mais de duas décadas. Continuamos a descobrir mais e mais sobre estas condições. Um dia haverá uma prova quase perfeita e um dia iremos prontamente e facilmente diagnosticar a maioria de todos aqueles que sofrem. E isso meus amigos, vai ser um bom dia! 


Fonte:


*** No Brasil esse exame ainda não está disponível  na maioria de nossos laboratórios.

Estudo citado:

Dr. Vikki Petersen, DC, CCN
IFM Certified Practitioner

Founder of HealthNOW Medical Center

Co-author of “The Gluten Effect”

Author of the eBook: “Gluten Intolerance – What You Don’t Know May Be Killing You!”

sábado, 27 de setembro de 2014

Os sintomas da doença celíaca em mulheres

By Jane Anderson


Infertilidade e problemas com o ciclo menstrual podem aparecer antes que os sintomas digestivos

As mulheres são diagnosticadas com a doença celíaca com muito mais freqüência do que os homens: até 70% das pessoas que atualmente são diagnosticadas com a doença são do sexo feminino, em parte porque mais mulheres do que homens realmente têm a doença, e em parte porque as mulheres são mais propensas a procurar um diagnóstico para seus problemas de saúde.

Mas, ao mesmo tempo, as mulheres podem ser menos propensas que os homens para mostrar os mais conhecidos sintomas da doença celíaca, que incluem diarreia, fadiga e perda de peso. Na verdade, as mulheres que são diagnosticadas com a doença celíaca freqüentemente notam sintomas que não são de natureza gastrointestinal antes de experimentar esses sintomas bem conhecidos.

Um grande estudo, por exemplo, descobriu que mais de 40% das mulheres relatou "outros" sintomas celíacos como os primeiros sinais, incluindo distúrbios do ciclo menstrual e infertilidade. Metade desses relatórios disseram que seus problemas (especificamente distúrbios do período menstrual) se desenvolveram antes de quaisquer outros sintomas da doença celíaca.

Claro, se você tem um problema com o seu período menstrual, há muitas causas potenciais para além da doença celíaca. Mas a pesquisa indica que as mulheres - especialmente aquelas em situação de risco para a doença (talvez pelo fato de um membro da família ter sido diagnosticado com doença celíaca ) - deve manter um olho em mais do que apenas sintomas digestivos.

Infertilidade pode ser sinal de doença celíaca em mulheres

A doença celíaca aparece em cerca de 1% da população geral. No entanto, estudos têm encontrado até 8% das mulheres com a chamada "infertilidade inexplicada", ou infertilidade que não é devida a fatores que possam ser facilmente identificados, como problemas hormonais.

A maioria das mulheres rastreadas em estudos com vista a doença celíaca como uma causa potencial para a infertilidade não apresentavam sintomas digestivos, levando alguns pesquisadores a recomendar que todas as mulheres com infertilidade inexplicada sejam testadas para a doença celíaca, independentemente de outros sintomas.

Infertilidade como um sintoma em mulheres com doença celíaca pode ser devido a deficiências nutricionais, que são comuns em celíacos diagnosticados recentemente, mesmo aqueles que não têm sintomas gastrointestinais. Infertilidade também pode resultar de algum modo de uma inflamação. Os investigadores ainda não identificaram a causa exata.

Problemas na gravidez também pode indicar doença celíaca em mulheres

Se você não foi diagnosticada com a doença celíaca e engravidou, é muito mais provável apresentar problemas com sua gestação do que outras mulheres. A anemia grave, ameaça de aborto, descolamento prematuro da placenta, hipertensão gestacional e restrição de crescimento intra-uterino pode ocorrer em mulheres com doença celíaca não diagnosticada com muito mais frequência do que em mulheres que não têm a doença.

Abortos e / ou natimortos recorrentes também podem representar um sintoma de doença celíaca, e vários pesquisadores recomendam a triagem de doença celíaca em mulheres com esses problemas. Em muitos casos, após o diagnóstico, a adoção de uma dieta isenta de glúten  permite que as mulheres carreguem seus bebês a termo.

A doença celíaca também tem sido implicada no atraso da primeira menstruação ou ausência de períodos menstruais (amenorréia), endometriose, dor pélvica e menopausa precoce, freqüentemente em mulheres com poucos ou nenhuns outros sintomas celíacos.

Anemia, que é comum em mulheres em idade fértil, também aparece com freqüência em mulheres com doença celíaca não diagnosticada. Em um estudo, 40% das mulheres relataram anemia antes de seus diagnósticos celíacos. É um sintoma bastante comum, que alguns médicos rotineiramente testam para doença celíaca, quando uma pessoa sofre de anemia inexplicável. Deficiências nutricionais - especificamente, problemas na absorção de ferro - são pensados ​​como  a causa.

Doença celíaca não diagnosticada também aumenta significativamente o risco de osteoporose - uma doença que ocorre em mulheres com muito mais freqüência do que nos homens. Mais uma vez, as deficiências nutricionais relacionados com problemas na absorção de nutrientes - desta vez, as deficiências em vitamina D, cálcio e magnésio - provavelmente são os culpados.

Em ambos os casos, a dieta sem glúten melhora a absorção dos nutrientes necessários e muitas vezes leva a melhorias na densidade óssea e uma resolução de anemia.

As mulheres também sofrem com mais freqüência de distúrbios da tireoide, um outro conjunto de condições associadas à doença celíaca. Até 7% das pessoas com doença auto-imune da tireoide - incluindo a doença de Graves e doença de Hashimoto - pode ter a doença celíaca, e em algumas delas o celíaco não irá apresentar quaisquer outros sintomas.

A esclerose múltipla  também ocorre muito mais comumente em mulheres do que em homens, mas na condição de que as ligações potenciais para a doença celíaca são menos claras - alguns estudos têm mostrado taxas mais elevadas de doença celíaca em homens e mulheres com esclerose múltipla, enquanto outros não têm. No entanto, alguns doentes de esclerose múltipla relatam melhoras em suas condições quando seguem uma dieta livre de glúten.

É claro que alguns sintomas não digestivos de doença celíaca em mulheres podem aparecer antes que os sintomas digestivos. Mas não se esqueçam de quaisquer sintomas digestivos; eles também podem indicar a doença celíaca.

Por exemplo, as mulheres com doença celíaca freqüentemente sofrem de inchaço - em um estudo, quase 70% das mulheres relataram que a "barriga inchada" foi um dos seus primeiros sintomas celíacos. Cerca de 40% das mulheres no mesmo estudo listaram diarreia como um de seus primeiros sintomas celíacos e doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) , muitas vezes é encontrado ao lado desses sintomas digestivos.

Além disso, as mulheres sofrem mais frequentemente de síndrome do intestino irritável (SII), e não é incomum para os médicos confundir SII com doença celíaca .

Não é à toa que alguns consideram a doença celíaca como um "camaleão clínico" - ela pode aparecer com qualquer um de mais de 100 sintomas diferentes, ou, no caso de " doença celíaca silenciosa ", sem sintomas. No entanto, independentemente do sintoma que você tenha, o diagnóstico (envolvendo testes de sangue e uma endoscopia digestiva ) e tratamento (a dieta sem glúten) são os mesmos.

Martinelli D. et al. Reproductive Life Disorders in Italian Celiac Women: A Case-Control Study. BMC Gastroenterology. 2010;10:89.

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