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sábado, 24 de outubro de 2020

Atrofia de vilosidades do duodeno e o uso de Olmesartana (hipertensão)




Tradução: Goolgle / Adaptação: Raquel Benati

Enteropatia semelhante a doença celíaca induzida por olmesartana: uma causa emergente de lesão do intestino delgado

Olmesartan-Induced Spruelike Enteropathy: An Emerging Cause of Small Bowel Injury

Adnan Malik, Faisal Inayat, Muhammad Imran Malik, Muhammad Afzal

Cureus. 2020 Jul; 12(7): e9347.

Published online 2020 Jul 22. doi: 10.7759/cureus.9347

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7444891/ 


Um artigo de Rubio-Tapia et al. descreveu a enteropatia associada a olmesartana pela primeira vez em 2012 (1). Desde então, vários relatos de casos e pequenas séries de casos foram documentados. 

Embora atrofia vilositária também tenha sido relatada com o uso de outros bloqueadores do receptor da angiotensina II, foi mostrado que a olmesartana apresenta a maior incidência dessas complicações. Relatos anteriores de efeitos colaterais semelhantes com telmisartana, irbesartana, valsartana, losartana e eprosartana também estão disponíveis. 

Esta entidade compartilha sintomas predominantes e características histológicas com doença celíaca. No entanto, a sorologia celíaca negativa, juntamente com a ausência de resposta a uma dieta sem glúten, denota claramente a natureza distinta desta reação adversa ao medicamento. Embora a Food and Drug Administration (FDA) tenha emitido um alerta para o risco de enteropatia, a olmesartana continua sendo um medicamento anti-hipertensivo popular. Ela demonstra uma resposta promissora na redução da pressão arterial e apresenta um perfil de interação medicamentosa favorável. 

Nesses pacientes, os sintomas de diarreia crônica e perda de peso são particularmente incapacitantes. Esses padrões de apresentação freqüentemente levam os médicos a conduzir uma investigação diagnóstica extensa. Portanto, essa enteropatia não afeta apenas a qualidade de vida desses pacientes, mas também leva ao esgotamento de valiosos recursos hospitalares. Curiosamente, o tratamento desta anormalidade é relativamente simples, consistindo principalmente na descontinuação da terapia com olmesartana. O presente artigo adiciona à evidência clínica existente pertencente a esta reação adversa grave da olmesartana e serve ao propósito de conscientizar a comunidade para o estabelecimento precoce da etiologia em pacientes afetados.


(1) Severe spruelike enteropathy associated with olmesartan

Alberto Rubio-Tapia 1, Margot L Herman, Jonas F Ludvigsson, Darlene G Kelly, Thomas F Mangan, Tsung-Teh Wu, Joseph A Murray

PMID: 22728033 PMCID: PMC3538487 DOI: 10.1016/j.mayocp.2012.06.003

 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22728033/


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Enteropatia associada a olmesartana imita achados endoscópicos de doença celíaca

Olmesartan-associated Enteropathy Mimics Endoscopic Findings of Celiac Disease

Sho Sasaki, Shinichi Hashimoto, Kazuhiro Yamamoto and Isao Sakaida

(Intern Med 59: 1777-1778, 2020)

(DOI: 10.2169/internalmedicine.4336-19)

https://www.jstage.jst.go.jp/article/internalmedicine/59/14/59_4336-19/_pdf/-char/en


Uma mulher de 75 anos que tomava comprimidos combinados de olmesartana e azelnidipina por 1,5 anos para hipertensão foi hospitalizada devido a mais de 10 episódios de diarreia aquosa por dia e perda de peso de 10 kg. A tomografia computadorizada mostrou pequena dilatação intestinal e aumento da espessura da parede.

A cultura de fezes mostrou flora normal. Endoscopia digestiva  mostrou alterações granulares no duodeno descendente e a biópsia mostrou atrofia das vilosidades, um achado característico da doença celíaca. 


Os sintomas não melhoraram com uma dieta sem glúten de 2 semanas e o anticorpo transglutaminase IgA foi negativo, descartando doença celíaca. Houve suspeita de Enteropatia semelhante a doença celíaca causada por olmesartana, e quando a medicação foi suspensa a diarreia melhorou em 1 semana, e seu peso corporal aumentou 8 kg em 2 meses. Não ocorreu diarreia no reinício da azelnidipina. 

Embora uma tomografia também tenha mostrado dilatação do cólon, na colonoscopia os achados eram normais e as biópsias não revelaram bandas de colágeno e havia poucos linfócitos intraepiteliais. O diagnóstico final foi enteropatia associada à olmesartana (EAO). Existem poucos relatos de achados endoscópicos em EAO. EAO pode causar diarreia semelhante à doença celíaca, e os achados duodenoscópicos também podem ser semelhantes.


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Sugestão de leitura:

Enteropatia grave semelhante a doença celíaca e colite devido a olmesartana: lições aprendidas com uma entidade rara

Gastroenterology Res . Agosto de 2020; 13 (4): 150–154.

Publicado online em 14 de agosto de 2020. doi:  10.14740 / gr1301

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7433370/


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Atrofia vilosa duodenal associada a olmesartana, um problema clínico emergente

Nupur Shukla,  Kylies Moore,  Genevieve M. Gabb

Publicado: 19 de maio de 2020  

https://doi.org/10.1111/imj.14834

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/imj.14834






 

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Perfil metabólico de Celíacos Brasileiros




Convidei o médico Dr Fernando Valério, especialista em Doença Celíaca, para fazermos uma entrevista ao vivo no Instagram, no dia 04 de agosto de 2020, abordando alterações metabólicas na Doença Celíaca.

Para ter uma conexão maior com a realidade da Comunidade Celíaca brasileira, fiz um questionário online, anônimo, para Celíacos diagnosticados através de exames específicos e maiores de 18 anos e divulguei nas redes sociais do Riosemgluten (Instgram e Facebook) durante dois dias no final de julho de 2020.

514 celíacos responderam as questões do questionário!

A grande maioria de participantes foi de mulheres - 93%

A idade variou bastante mas o grupo maior foi de pessoas entre 29 e 50 anos (solicitei que só maiores de 18 anos respondessem).



No momento do diagnóstico:
33,5% estavam acima do peso ou obesos
31,7% estavam com peso normal
32,9% estavam com baixo peso
e alguns não lembravam mais do peso no momento do diagnóstico.

Esses números representam um avanço pois a doença celíaca, até alguns anos atrás, não era investigada no grupo de pessoas com sobrepeso ou obesas. Havia uma cortina escondendo esse grupo. Até hoje ainda existem médicos que se recusam a investigar Doença Celíaca em pessoas acima do peso. Esse cenário finalmente está mudando.

Atualmente, após o início do tratamento com dieta sem glúten, esses números mudaram:
46,8% estão acima do peso ou obesos
39,7% tem peso normal
13,4% tem baixo peso


No grupo de celíacos.
18,1% fazem dieta para PERDER peso
6,4% fazem dieta para GANHAR peso



Muitas vezes ouvimos que o ganho de peso pode acontecer por causa da presença de alterações na glândula tireóide. O grupo que respondeu ao questionário está assim distribuido:
57,4% não tem alterações na tireóide
10,3% tem hipotiroidismo
8,8% tem Tireoidite de Hashimoto (doença autoimune)
19,1% não sabe se tem alterações da tireoide

e um outro pequeno grupo tem Doença de Graves, hipertiroidismo ou precisou fazer cirurgia para retirada da glândula tireoide.



Então é possível observar que o grupo com aumento de peso é bem maior do que o grupo com alterações na tireoide. Uma pergunta que fica é: 19,1% dos celíacos não sabem responder sobre o funcionamento da sua glândula tireoide. A prevalência de Tireoidite de Hashimoto entre celíacos é aumentada, pois também é uma doença autoimune. É preciso periodicamente acompanhar para que o diagnóstico precoce possa ser feito. Talvez alguns celíacos com aumento de peso ou baixo peso estejam nesse grupo que precisa acompanhar melhor como estão os hormônios da tireoide e seu funcionamento.

Ao verificar outras informações vimos que no grupo de celíacos que respondeu ao questionário temos:

51,8% tem pressão arterial normal
8,2% tem pressão alta
38,9% tem pressão baixa

Mas vimos também que 10,5% dos celíacos fazem uso de medicação para controle da pressão arterial.



Quando perguntados sobre os valores de glicemia de jejum 32,7% não souberam responder... O risco de diabetes autoimune é aumentado no grupo de celíacos. Seja o diabetes tipo 1 (diagnosticado em crianças e jovens), seja o diabetes tipo LADA, diagnosticado em adultos. Então, da mesma forma que celíacos precisam monitorar o funcionamento da tireoide, também precisam estar atentos ao funcionamento do pâncreas e a produção de insulina.

54,7% tem a glicemia de jejum entre 70 e 100, considerados valores normais. 8% declararam valores menores que 70, que já são considerados como hipoglicemia (algumas pessoas com resistência à insulina podem apresentar valores abaixo de 70, por isso a importância de sempre medir glicemia e insulina de jejum ao mesmo tempo, para saber se há alterações na produção de insulina).

Quando perguntados sobre diagnóstico de diabetes, 90,9% dos celíacos afirmam não ter , 7% tem pré-diabetes e 2,1% tem diabetes.



Na lista de exames de acompanhamento podemos observar há poucos pedidos de homocisteína, Proteína C Reativa ( comum ou ultrassensível) e insulina de jejum assim como a hemoglobina glicada e o zinco. O monitoramento da anemia (através do hemograma), das taxas de colesterol e triglicerideos (através do lipidograma) e da glândula tireoide parece estar mais consolidado (embora ainda precise melhorar - praticamente 20% dos celíacos não sabem responder se tem ou não alteração na glândula tireoide).



A doença celíaca é uma doença crônica e, justamente por essa característica, precisa de acompanhamento ao longo da vida do paciente. E estamos falhando nisso com certeza.

As alterações metabólicas que podem levar ao diagnóstico de SÍNDROME METABÓLICA - um conjunto de condições que aumentam o risco de doença cardíaca, acidente vascular cerebral e diabetes tipo 2 - podem estar presentes em pessoas gordas ou magras.

Segundo os critérios brasileiros, a Síndrome Metabólica ocorre quando estão presentes 3 dos 5 critérios abaixo:

1 - Ter triglicerideos alto (lipidograma)
2 - Ter HDL baixo (lipidograma)
3 - Ter aumento da pressão arterial ou tomar remédio para controle da pressão
4 - Ter glicemia de jejum acima de 110 ou ter diagnóstico de diabetes (ou estar fazendo uso de medicação para controle da glicemia)
5 - Ter a circunferência da cintura maior que 88cm (mulheres) ou 102cm (homens)

Existem outros fatores que associados, confirmam o diagnóstico de Síndrome Metabólica, como a presença de gordura no fígado e Resistência à Insulina.

Um dado que me supreendeu de forma positiva no questionário foi o fato de que 58,6% dos celíacos receberam orientação de um nutricionista sobre a dieta sem glúten. Há 20 anos esse atendimento no início do diagnóstico era algo raro e pouco lembrado pelos gastroenterologistas.



Resumindo:

Como interpretar esses dados? Tenho algumas hipóteses:

A - Celíacos diagnosticados e já em dieta sem glúten tem a mesma chance que a população em geral de apresentar alterações metabólicas. Precisamos aprender e falar sobre isso.

B - A dieta sem glúten precisa ser olhada tanto na questão de ser rigorosa (não furar a dieta e cuidar dos riscos da contaminação cruzada por glúten) quanto na sua composição (densidade nutricional).

C - Inflamação crônica de baixo grau. Além de nos tornar especialistas em manter a dieta sem glúten e fazer exames sorológicos periodicamente para garantir que não estamos produzindo anticorpos contra a gliadina ou contra nossos próprios tecidos e células, precisamos aprender mais sobre esse tipo de inflamação, que está ligada à permeabilidade intestinal alterada.

No grupo que respondeu ao questionário vimos:
10,5% fazendo uso de medicação para controle da pressão
9,1 % com pré-diabetes /diabetes
12,6% com obesidade

Não perguntei sobre os resultados de triglicerideos e HDL. Será que teríamos também algo em torno de 10% de celíacos com alterações no lipidograma?

A Síndrome Metabólica pode ser REVERTIDA quando diagnostica precocemente assim como pode ser PREVENIDA se estivermos atentos à ela.

Vamos usar nossa capacidade de autocuidado que aprendemos a ter em relação a ficar longe do glúten para também ficarmos longe da Síndrome Metabólica!

Raquel Benati - @rio_sem_gluten
03/08/2020

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Doença Celíaca, dieta sem glúten e distúrbios metabólicos e hepáticos




Celiac Disease, Gluten-Free Diet, and Metabolic and Liver Disorders

Marco Valvano, Salvatore Longo, Gianpiero Stefanelli, Giuseppe Frieri, Angelo Viscido e Giovanni Latella 

Gastroenterologia, Divisão de Hepatologia e Nutrição, Departamento de Ciências da Vida, Saúde e Meio Ambiente, Universidade de L'Aquila, Itália

Nutrients 2020 , 12 (4), 940; doi.org/10.3390/nu12040940

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


RESUMO


Há evidências de que a Dieta Isenta de Gúten (DIG) pode levar a maior ingestão de carboidratos simples, proteínas e gorduras saturadas e uma menor ingestão de carboidratos complexos  e fibras. 

Em pacientes com Doença Celíaca (DC) em uma dieta isenta de  glúten, foi encontrada uma maior ingestão de gorduras em comparação com os controles, confirmando que a DIG a longo prazo pode não ser nutricionalmente equilibrada. 

Além disso, muitos alimentos sem glúten são caracterizados por um índice glicêmico mais alto do que o equivalente em alimentos contendo glúten. É provável que a ausência de glúten, por um lado, aumente a capacidade da enzima amilase de digerir amido no lúmen intestinal, aumentando assim a absorção do amido e, por outro, determine a palatabilidade de alguns alimentos sem glúten, induzindo uma preferência a alimentos hiperproteicos e hiperlipidêmicos.

Em pacientes com DC em uma dieta isenta de glúten, tanto o aumento da absorção de nutrientes (como resultado da melhora da atrofia da mucosa intestinal) quanto a ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples mais elevados podem contribuir para a piora do estado metabólico e ao aumento da prevalência de Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) - acúmulo de gordura no fígado - nesses pacientes.

Evidências recentes sugeriram que, apesar de celíacos adotarem uma dieta sem glúten por toda a vida, alguns distúrbios podem persistir, por exemplo, aumento da permeabilidade intestinal, supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO), alterações na microbiota (disbiose), insuficiência pancreática exócrina e inflamação gastrointestinal de baixo grau. Alguns desses distúrbios podem ser responsáveis ​​pelo desenvolvimento da DHGNA. Desses fatores, o mais estudado foi a alteração na função de  barreira  da mucosa, em particular a permeabilidade intestinal.

Portanto, a epidemia global de obesidade e DHGNA, o aumento dos valores de IMC (índice de massa corporal) no diagnóstico de Doença Celíaca e o impacto de uma dieta isenta de glúten no status metabólico desses pacientes podem ser importantes e podem mudar conceitos históricos do estado de desnutrição de pacientes celíacos.


MATERIAIS E MÉTODOS

Uma pesquisa eletrônica sistemática da literatura (escrita em inglês) de janeiro de 2009 a dezembro de 2019 foi realizada usando o Medline (PubMed), Web of Science, Scopus e a Biblioteca Cochrane. A pesquisa incluiu uma combinação de títulos de Assunto Médico (MeSH) e palavras-chave.

A pesquisa foi limitada a estudos conduzidos em humanos, pacientes adultos com Doença Celíaca em uma dieta isenta de glúten. Estudos sobre populações pediátricas (0 a 16 anos) foram excluídos. Foram considerados estudos de coorte prospectivos e retrospectivos, estudos de caso-controle e estudos transversais analíticos.



DISCUSSÃO

Os estudos incluídos nesta revisão mostraram uma prevalência e incidência aumentadas de DHGNA (gordura no fígado) e ganho de peso, um pior perfil lipídico (colesterol e cia.) e altos níveis de glicose no sangue, sugerindo que mudanças importantes ocorrem em pacientes celíacos em uma dieta sem glúten.

Os mecanismos que levam a DC e a DIG às alterações metabólicas, como o aumento do peso corporal e do IMC, os níveis de triglicerídeos e colesterol no sangue e os níveis de glicose no sangue, bem como o desenvolvimento de DHGNA, ainda precisam ser esclarecidos. 

Essas alterações metabólicas podem ocorrer devido ao aumento dos processos de absorção de nutrientes após o início da dieta isenta de glúten ou ao consumo de uma dieta hipercalórica rica em gorduras e carboidratos simples (açúcares). A regressão da inflamação e atrofia da mucosa intestinal induzida pela DIG pode levar a uma melhora acentuada da absorção intestinal de nutrientes em indivíduos que estão em um estado hiperfágico compensatório. Isso é indiretamente confirmado pelo fato de que em pacientes com DC, um grau mais grave de atrofia das vilosidades e diarreia concomitante foram preditores independentes para um IMC menor. 

A não adesão à dieta isenta de glúten parece contribuir para a perda de peso, enquanto a adesão pode ser um fator importante na determinação do ganho de peso em pacientes com DC. Além disso, a duração da DIG foi considerada uma possível variável que afeta as alterações no IMC.

Vários estudos demonstraram que a dieta isenta de glúten, embora seja o único tratamento disponível para DC, tem efeitos potencialmente negativos no estado nutricional e metabólico. 

Um estudo britânico relatou que pacientes com Doença Celíaca do sexo feminino consumiram significativamente mais energia de todos os macronutrientes quando comparadas a uma população não celíaca, atribuindo isso à maior ingestão de lanches doces que eram mais ricos em gordura saturada. Os pacientes com DC também tiveram uma ingestão significativamente menor de fibras.

Há evidências de que a dieta isenta de glúten pode determinar uma maior ingestão de açúcares simples, proteínas e gorduras saturadas e uma menor ingestão de carboidratos complexos e fibras. Em pacientes com DC em uma DIG, foi encontrada uma maior ingestão de gorduras em comparação com os controles, confirmando que a dieta isenta de glúten a longo prazo pode não ser nutricionalmente equilibrada. Além disso, muitos alimentos sem glúten são caracterizados por um índice glicêmico mais alto do que os equivalentes de alimentos contendo glúten. É provável que a ausência de glúten, por um lado, aumente a capacidade da enzima amilase de digerir amido no lúmen intestinal, aumentando assim a absorção do amido e, por outro, determine a palatabilidade de alguns alimentos sem glúten, induzindo uma preferência por alimentos hiperproteicos e alimentos hiperlipidêmicos.

Em pacientes com Doença Celíaca em uma dieta isenta de glúten, tanto o aumento da absorção de nutrientes (como resultado da melhora da atrofia da mucosa intestinal) quanto a ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples mais elevados podem contribuir para a piora do estado metabólico e ao aumento da prevalência de DHGNA nesses pacientes.

Evidências recentes sugeriram que, apesar de pacientes celíacos seguirem uma dieta sem glúten por toda a vida, alguns distúrbios podem persistir, por exemplo, aumento da permeabilidade intestinal, supercrescimento bacteriano do intestino delgado, alterações na microbiot (disbiose), insuficiência pancreática exócrina e inflamação gastrointestinal de baixo grau. Alguns desses distúrbios podem ser responsáveis ​​pelo desenvolvimento da DHGNA. Desses fatores, o mais estudado foi a alteração na função de  barreira da mucosa, em particular a permeabilidade intestinal.

Vários estudos demonstraram que a permeabilidade intestinal pode desempenhar um papel na patogênese da DHGNA. De fato, algumas endotoxinas, como lipopolissacarídeos (endotoxinas comuns de bactérias intestinais), podem atingir o fígado e desencadear uma reação imune através dos "receptores do tipo Tall". A redução na incidência de DHGNA após o início de uma DIG pode estar relacionada à melhora da inflamação e da atrofia e permeabilidade da mucosa intestinal induzida pela dieta. Se uma barreira intestinal comprometida é uma causa ou efeito da DHGNA, isso requer estudo adicional, embora a teoria predominante seja que a endotoxina derivada de bactérias e citocinas relacionadas possam desempenhar um papel central na evolução da esteatose hepática na DHGNA. 

Além dos mecanismos descritos anteriormente, a própria dieta sem glúten pode ter um papel nessas alterações. Nos últimos anos, o perfil nutricional de alimentos sem glúten tem sido cada vez mais questionado na comunidade científica. A qualidade nutricional dos alimentos sem glúten atualmente disponíveis no mercado é inadequada - baixo teor de proteínas e alto teor de gorduras. Dados de estudos sobre alimentos sem glúten indicaram que é necessário diminuir a gordura e calorias e incluir mais fibras, proteínas, eletrólitos, vitaminas e outros micronutrientes. 

Outro fator importante que geralmente não é levado em consideração é o mercado de alimentos sem glúten e a força econômica dos pacientes com Doença Celíaca. A disponibilidade de alimentos sem glúten aumentou na maioria dos mercados, especialmente nos mais caros. A menor disponibilidade e qualidade dos alimentos sem glúten vendidos em mercados mais baratos pode impactar desproporcionalmente as coortes socioeconômicas pobres. 

Finalmente, um estado compensatório hiperfágico geralmente segue distúrbios de má absorção e induz ganho de peso.

Todos os fatores mencionados acima podem contribuir para o desenvolvimento de DHGNA em pacientes com DC em dieta sem glúten. É importante ressaltar que a DHGNA é considerada uma expressão hepática potencial da Síndrome Metabólica (SM). 

A SM envolve fatores de risco interrelacionados para doenças cardiovasculares e diabetes. Esses fatores incluem hipertensão, baixos níveis de colesterol HDL, níveis elevados de triglicerídeos, resistência à insulina / diabetes tipo 2 e adiposidade central. A fisiopatologia dessas condições não é clara, mas várias hipóteses foram propostas.

A maioria dos estudos na literatura mostrou que pacientes com DC (no momento do diagnóstico) têm um IMC menor que a população geral; portanto, o ganho de peso de uma DIG pode ter efeitos positivos nesses pacientes. No entanto, foi demonstrado claramente que atualmente, um número crescente de pacientes com DC apresenta um IMC normal ou alto no momento do diagnóstico.

É importante ressaltar que, apesar das melhorias no peso corporal (ganho de peso em pacientes com baixo peso e perda de peso em pacientes com excesso de peso), os pacientes com peso normal geralmente ganham peso. 

De fato, foi observado um aumento no IMC médio em todos os estudos encontrados.. Em pacientes com DC em uma DIG, o aumento do IMC provavelmente está relacionado ao aumento da ingestão de calorias, gorduras e carboidratos simples, mas provavelmente também à redução da atividade física. 

Mais da metade das mulheres com doença celíaca frequentemente relatam baixa atividade física antes e depois de uma DIG. A atividade física reduzida pode estar ligada à fadiga crônica, que é um achado comum em pacientes com DC, o que melhora com a DIG. O aumento do peso corporal e do IMC pode representar um fator de risco para DHGNA e diabetes tipo 2.

Portanto, a epidemia global de obesidade e DHGNA, aumento dos valores de IMC no diagnóstico de DC e o impacto de uma dieta isenta de glúten no status metabólico desses pacientes podem ser importantes e podem mudar conceitos históricos do estado de desnutrição de pacientes celíacos.

O diabetes tipo 2 por si só não parece estar aumentado em pacientes com DC em comparação com os controles. Apenas em dois estudos, uma prevalência mais alta de hiperglicemia foi relatada em pacientes com DC após dieta isenta de glúten em comparação com a observada no diagnóstico da DC. Em nenhum desses estudos, os critérios atuais para o diagnóstico de diabetes tipo 2 foram especificados e adotados; o diabetes pode ser diagnosticado com base nos critérios de glicose no plasma, tanto no valor da glicemia de jejum como no valor de 2 h de glicose no plasma durante um teste oral de tolerância à glicose de 75 g (TOTG) ou nos critérios de hemoglobina glicada.
Portanto, a dieta isenta de glúten parece induzir apenas um ligeiro aumento nos níveis de glicose no sangue em jejum, mas não um aumento real na prevalência de diabetes tipo 2 (DT2). Em alguns casos, o diagnóstico de DT2 foi feito antes do diagnóstico de DC, portanto, a dieta isenta de glúten não teve papel no desenvolvimento do diabetes.

Embora a DHGNA e o DT2 sejam freqüentemente encontrados juntos em adultos, em pacientes com DC, o aumento na prevalência de DHGNA não associado ao diabetes pode ser detectado; na maioria dos pacientes com DC a DHGNA parece estar associada apenas a um ligeiro aumento nos níveis de glicose no sangue em jejum.

Sabe-se que a incidência de DT2 aumenta com a idade e o IMC e está intimamente ligada à dieta e à etnia. O aumento do peso corporal e do IMC observado em pacientes com DC após DIG poderia, teoricamente, ser um fator de risco para DHGNA e para DT2, mas este último não parece estar aumentado na DC, seja no diagnóstico ou após a DIG.

A DHGNA tem sido predominantemente associada à obesidade, dislipidemia e resistência à insulina, embora a DHGNA possa ocorrer naqueles com IMC normal. No entanto, uma condição de resistência à insulina não foi relatada em pacientes com DC, nem no diagnóstico nem após a DIG.


Uma DIG altera certos fatores de risco cardiovascular em pacientes com DC, mas o efeito geral sobre o risco cardiovascular em indivíduos permanece incerto. Portanto, é importante explorar a relação entre DC e doenças cardiovasculares.

Em uma revisão sistemática com metanálise, foi relatado aumento do risco de acidente vascular cerebral em pacientes com DC , enquanto não foi encontrado um aumento estatisticamente significativo do risco de infarto do miocárdio e morte cardiovascular.

Além disso, um estudo realizado em uma população do Reino Unido não revelou um risco aumentado de morte cardiovascular em pacientes celíacos em comparação com a população em geral. No entanto, a taxa de mortalidade padronizada foi maior durante o período pós-diagnóstico (após 2 anos) do que durante o período peri-diagnóstico (dentro de 2 anos) em pacientes com DC.

Em conclusão, levando em consideração os piores perfis lipídicos, os aumentos em novos diagnósticos de DHGNA e o ganho de peso observado em pacientes com DC (em particular em pacientes com doença celíaca normal / com excesso de peso), os pacientes com doença celíaca precisam ser informados sobre esses riscos potenciais e aconselhados sobre nutrição personalizada após iniciar uma DIG.

Apesar de uma dieta isenta de glúten ser o único tratamento eficaz disponível para a doença celíaca - e apesar de desempenhar um papel fundamental na cicatrização das mucosas e na remissão de sintomas - o funcionamento do fígado, o peso corporal e os perfis nutricionais devem ser monitorados ao longo do tempo.


Texto original


Artigo de revisão:
Yanny B., Grewal JK, Vaswani VK (2021) Celiac Disease and the LiverEm: Weiss GA (eds) Diagnosis and Management of Gluten-Associated Disorders. Springer, Cham. https://doi.org/10.1007/978-3-030-56722-4_3 





sexta-feira, 8 de maio de 2020

POTS (taquicardia ortostática postural) e glúten - Atualização



O glúten pode  piorar essa forma de disautonomia?


Por Amy Burkhart, MD, RD

Tradução: Google / Adaptação: Raquel Benati


POTS (taquicardia ortostática postural) é uma forma de disautonomia. Para alguns, os sintomas da POTS são agravados pela ingestão de glúten. Um estudo de 2016 descobriu que pessoas com doença celíaca ou sensibilidade ao glúten correm maior risco de POTS / disautonomia. Em meu consultório, vejo repetidamente uma conexão entre POTS e doença celíaca ou outros distúrbios relacionados ao glúten. Quero destacar esta doença invisível que altera a vida e discutir mudanças, incluindo dieta, que podem ser úteis.

POTS: Visão geral

POTS ocorre quando há disfunção no sistema nervoso autônomo. Este sistema controla todas as coisas que acontecem "automaticamente" em nosso corpo, como pressão arterial, freqüência cardíaca e respiração. POTS é a forma mais comum de disautonomia / distúrbios autonômicos. Os sintomas geralmente ocorrem ou pioram na posição vertical ou em pé. Passamos a maior parte de nossas vidas em pé, para que você veja como isso pode afetar significativamente a vida de alguém. A pressão sanguínea pode ser baixa ou alta (geralmente baixa). Anormalidades da frequência cardíaca são frequentes, mas podem não ser percebidas pelo paciente. Os sintomas podem ser leves, como tontura ou fadiga, ou tão graves que causam a perda de consciência de alguém. Os sintomas geralmente melhoram com a hidratação, idade e gravidez. As mulheres com POTS costumam dizer que “a gravidez foi a melhor fase". Isso pode ser devido ao aumento do volume sanguíneo que ocorre na gravidez; ou seja, "o tanque está mais cheio".

Pessoas com POTS são comumente diagnosticadas com outras condições, como síndrome da fadiga crônica, fibromialgia, ansiedade ou déficit de atenção. Essas pessoas parecem exteriormente normais e saudáveis ​​e podem experimentar anos de frustração com profissionais médicos que atribuem seus sintomas a várias doenças ou problemas psicológicos.

Alguns dos meus pacientes

Para mostrar o efeito significativo que a POTS pode ter na vida de alguém, eu queria compartilhar algumas histórias. Todos esses pacientes* tinham doença celíaca ou sensibilidade ao glúten. Todos foram eventualmente diagnosticados com POTS.

Adeline estava tão cansada que, aos 12 anos de idade, não teve energia para correr em um campo de beisebol durante a Educação Física. O cansaço estava afetando sua concentração, notas e vida. Ir à escola era uma luta.

Jace, 17 anos, estava com tonturas e palpitações quando ficava de pé por mais de alguns minutos. Suas pernas doíam quando ele se levantava. Tomar banho de chuveiro fazia sua dor piorar. Ficar em filas era intolerável. Suas pernas ficavam de uma cor arroxeada e ele ficava exausto quando se levantava. Tinha que se sentar com frequência. 

Claire, 35 anos, tinha dores de cabeça que não respondiam a vários tratamentos. O clima quente as tornava piores. 

Ruby, 37, sofria com "neblina cerebral" constante. A pressão sanguínea dela estava baixa. O médico dela disse que isso era "saudável". Ela se sentia horrível. 

Apesar da grande variedade de idades e sintomas, esses meus pacientes* estão conectados por um fator comum - POTS. 

* Os nomes foram alterados para privacidade.

Possivelmente autoimune

POTS é uma síndrome desafiadora para pacientes e médicos. Existem centros de tratamento em várias universidades importantes dedicados ao tratamento de POTS e distúrbios autonômicos relacionados (sistema nervoso). Há uma discussão entre especialistas de que a POTS pode ser um ponto comum para uma variedade de doenças. POTS podem explicar muitos casos de síndrome da fadiga crônica. Um trabalho de pesquisa recente discute a possibilidade de POTS ser autoimune por natureza. Se a POTS for autoimune, pode ser mais comum em pessoas com doença celíaca, que também é uma doença autoimune. Não estou sugerindo que a doença celíaca ou a sensibilidade ao glúten sejam a causa de todos os casos de POTS. Eles podem ser dois dos vários motivos possíveis para que isso ocorra.

Sintomas de POTS

Pessoas com POTS podem apresentar um ou muitos dos seguintes sintomas: 
batimento cardíaco acelerado em pé, tontura, palpitações, fadiga, neblina cerebral, fraqueza, dor de cabeça, ansiedade, falta de ar, náusea, sintomas digestivos - como constipação ou gastroparesia , problemas de equilíbrio, dor muscular, mãos e pés frios, intolerância ao exercício, síndrome de congestão pélvica e descoloração ou manchas nas pernas. 

Os sintomas geralmente vêm e vão. Pessoas com POTS têm dias bons e ruins. Os sintomas ocorrem após períodos prolongados de ficar em pé ou sentado, são piores em ambientes quentes e após comer. Eles são desencadeados por desidratação, estresse e exercícios.

Condições Médicas Associadas

Estima-se que cerca de 50% das pessoas diagnosticadas com POTS tenham articulações hipermóveis. Pode haver uma conexão com a Síndrome de Ehler Danlos e POTS. É comum a POTS se manifestar em varios membros da família e provavelmente existe um componente genético. Muitas pessoas descrevem o início dos sintomas após uma doença viral (a mononucleose é um gatilho comum), gravidez ou trauma. Na maioria das vezes, no entanto, a causa é desconhecida.

Diagnosticando POTS

É feito um diagnóstico quando os sintomas ocorrem em conjunto com um aumento da freqüência cardíaca de 30 batimentos por minuto após ficar em pé por 10 minutos ou se a freqüência cardíaca aumentar para 120 batimentos / em pé. Os testes da mesa de inclinação são frequentemente realizados, mas não em todos os centros de investigação de POTS. Outras condições médicas possíveis, como desidratação, doença da tireóide e insuficiência adrenal, devem ser descartadas antes do diagnóstico de POTS.

Conexão celíaca / glúten 

Um artigo em 2005 avaliou uma conexão entre doença celíaca documentada e disfunção autonômica. No estudo, 2,4% dos pacientes com disfunção autonômica apresentaram doença celíaca comprovada por biópsia. Isso é mais que o dobro da taxa de doença celíaca na população em geral. 

Um artigo de 2016 mostrou que os pacientes com POTS estavam em maior risco de doença celíaca e sensibilidade ao glúten. Outro estudo mostrou que 56% dos pacientes celíacos tinham alguma anormalidade no sistema nervoso autônomo. 

Deveríamos considerar a doença celíaca ou a sensibilidade ao glúten em todos os pacientes com POTS? 

A remoção de glúten da dieta melhorará os sintomas de POTS? 

Nos meus pacientes, melhorou os sintomas, mas não completamente. Existem casos em que a dieta sem glúten pode eliminar completamente os sintomas de POTS? 

O microbioma alterado na doença celíaca cria sintomas consistentes com POTS? Em caso afirmativo, os probióticos podem ser úteis no POTS? 

Poderiam outras sensibilidades alimentares, comumente vistas com doença celíaca, desempenhar um papel? 

Se pesquisas futuras responderem a perguntas como essas, o resultado poderá impactar muitos pacientes.

Tratamento

O seguinte estilo de vida e modificações na dieta podem ser úteis para gerenciar POTS. Os medicamentos prescritos podem ser necessários além das mudanças no estilo de vida, mas sua implementação está além do escopo deste artigo.

Modificações no estilo de vida 

  • 1. Hidratação
  • 2. Evite sentar ou ficar em pé por tempo prolongado
  • 3. Evite ambientes quentes
  • 4. Minimize o uso de medicamentos que dilatam os vasos sanguíneos
  • 5. Garanta a ingestão adequada de sal
  • 6. Evite álcool - piora os sintomas
  • 7. Use roupas de compressão, como meias e mangas.
  • 8. Garanta um sono adequado e regular. Eleve a cabeceira da cama enquanto dorme.
  • 9. Evite situações estressantes, tanto quanto possível.

Exercício

O exercício é uma pedra angular da melhoria a longo prazo. Frequentemente, no início do tratamento, os pacientes fazem fisioterapia para melhorar a tolerância ao exercício. No início, apenas 1-2 minutos de exercício podem ser tolerados. É importante usar modificações no estilo de vida e, se necessário, suplementos ou medicamentos para ajudar no tratamento e aumentar a tolerância ao exercício. O objetivo é aumentar gradualmente o exercício e diminuir a medicação. A longo prazo, o exercício ajuda a manter o tônus ​​vascular e a minimizar os sintomas. Muitas vezes, permite a interrupção ou minimização da medicação.

Modificar posturas

1. Sente-se em uma cadeira baixa ou com os joelhos na posição joelho-peito;

2. Agache-se, em vez de ficar em pé, se possível;

3. Fique em pé com as pernas cruzadas e contraia os músculos em pé;

4. Dobre para a frente quando possível, por exemplo, em um carrinho de compras, se estiver fazendo compras.

Tratar condições médicas associadas

Certas condições, como asma, intolerância alimentar, dor, congestão pélvica, ansiedade, enxaquecas e infecções, podem piorar os sintomas de POTS. Elas devem ser abordados imediatamente se ocorrerem.

Dieta e hidratação

A hidratação adequada está na vanguarda do tratamento. Recomenda-se pelo menos 2 litros de água diariamente. 

A ingestão adequada de sal também é importante e 3-5 gramas / dia é sugerido se alguém sofre de POTS. Muitas vezes, os comprimidos de sal são usados ​​para aumentar a ingestão de sal e ajudar a manter o status dos líquidos. 

As mudanças na dieta também não podem ser ignoradas no tratamento de POTS. Pequenas refeições frequentes minimizam os sintomas que podem ocorrer após a ingestão. Remover laticínios da dieta pode ser útil. A diminuição da ingestão diária total de carboidratos é frequentemente útil (Mathias, CJ Outros transtornos autonômicos, National Dysautonomia Patient Conference, maio de 2000). 

A cafeína pode ser útil para alguns pacientes com POTS e piorar os sintomas em outros. 

A ligação entre glúten e POTs está emergindo, mas espero que estudos futuros avaliem ainda mais a conexão. Eu também tenho visto anedoticamente melhorias na POTS com a remoção de outros itens alimentares, como ovos e leveduras, mas elas são individuais e só podem ser determinadas com uma dieta de eliminação. Pesquisas adicionais sobre o efeito de determinados alimentos seriam interessantes, assim como o efeito da manipulação do microbioma com probióticos.

Medicamento

Muitos medicamentos são usados ​​no tratamento de POTS e incluem aqueles que aumentam o volume sanguíneo, estimulam ou melhoram a vasoconstrição. As especificidades dos medicamentos e seu uso estão além do escopo deste artigo. 

Suplementos

Vários suplementos têm sido utilizados como tratamento adjuvante nas modificações do estilo de vida. Estes devem ser utilizados apenas sob a orientação do seu médico. Eles podem incluir magnésio, raiz de alcaçuz, carnitina e Co-Q10 e suplementos adrenais.

Redução de estresse

Como o estresse agrava os sintomas de POTS, o uso de uma técnica diária de relaxamento é benéfico. As possibilidades incluem meditação, diário, ioga, tai chi e exercícios de respiração ou relaxamento muscular.

O que aconteceu com meus pacientes?

O primeiro passo com a POTS é obter o diagnóstico. Depois que os pacientes entenderem o que precisam fazer, poderão começar a abordá-la estrategicamente. 

Com relação aos meus pacientes acima, Adeline agora está participando ativamente da Educação Física e se exercitando diariamente para ajudar seus sintomas. Ela ainda não consegue acompanhar 100% fisicamente  seus colegas, mas está mais perto do que nunca. Sua concentração e foco melhoraram bastante e seu humor é drasticamente melhor. Jace é capaz de ficar de pé agora por períodos mais longos e está de volta a jogar futebol. Suas pernas não doem mais no chuveiro e seu humor é notavelmente melhor, assim como sua visão geral da vida. Clare raramente tem dores de cabeça e, se tem, geralmente há um gatilho claro. O simples fato de saber o que ela está lidando ajudou muito em sua situação geral. Agora ela pode gerenciar e modificar as mudanças no estilo de vida, conforme necessário, para controlar seus sintomas. Ruby está melhor, medicamentos e mudanças no estilo de vida ajudaram a aliviar muitos sintomas. Sua situação ainda é um trabalho em andamento.


Talvez você nunca tenha ouvido falar de POTS antes de hoje, mas talvez conheça alguém que lute com alguns dos sintomas descritos e esteja procurando respostas. POTS pode ser uma possibilidade e essas informações podem mudar sua vida. Espero que este artigo contribua com algum momento para novas pesquisas sobre uma possível ligação entre POTS e desordens relacionados ao glúten.

* Todos os nomes neste artigo foram alterados por questão de privacidade.